TEMÁTICAS TRATADAS AQUI

SÃO TANTOS OS TEMAS IMPORTANTES E INTERESSANTES NA ÁREA... SE NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2012 PROPUS UM RECORTE EM TORNO DA ALFABETIZAÇÃO/ LETRAMENTO, DE SETEMBRO 2012 A FEVEREIRO 2013 A QUESTÃO FOCAL FOI A PRIMEIRA INFÂNCIA. ASSIM SENDO, A PARTIR DE ENTÃO O PAPO VAI SER OUTRO... TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO - PODE? APROVEITEM! =)



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terça-feira, 11 de junho de 2013

Sobre crianças e tecnologia… Sobre ser Pedagoga numa nova era… Sobre ser mãeeducadoradeoutroséculo

Gente do bem! Olha que delícia de reflexão que a Celia Flores me mandou e me autorizou partilhar com vcs!

                Inserida num antigo grupo de amigas / profissionais queridas em processo de reativação de um grupo de estudos ligado às relações entre Educação e Tecnologia, encontro-me vivendo um turbilhão de pensamentos.
                Pedagoga, amante do papel, do livro, do contato olho no olho e do abraço. Desejo para os meus filhos isso também. Que gostem das pessoas e curtam o contato pessoal, que folheiem livros e guardem seus preferidos até ficarem mais velhos, com folhinhas amareladas e o registro da caligrafia da infância (como o meu Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha, que está lá na estante para ser, em breve, apresentado ao Miguel!).
                Mas também tenho me aproximado (e cada vez mais) das tecnologias… Meu celular já tem internet ilimitada e eu ADORO isso! Contato direto com os amigos que foram morar longe, contato com informações interessantes postadas também por desconhecidos, apps que me ajudam na vida diária, desde pegar táxi, à escolha do trajeto “menos pior” a fazer na volta ao trabalho…
                E meus filhos… Ah! Meus filhos… Nasceram nesse tempo em que a internet faz parte da vida. Desde sempre, Miguel – que hoje tem 2 anos e 7 meses – manipula ifones, ipods, ipads, computadores… Habilidosíssimo, entra e sai de vídeos memorizados nas máquinas, investiga os álbuns de fotos, joga e troca os jogos que disponibilizamos para ele. Também chega ao You Tube e nessa hora, algumas vezes, “entrega os pontos” e nos pede para encontrar o que deseja: “Palava cantada, mamãe. Pu favô.” Só às vezes. Já tenta chegar sozinho onde deseja e sabe do microfone, que a partir da fala do usuário encontra os vídeos relacionados. Mas como sua fala tem um quê de dialeto ainda – pelo menos para a máquina – é pouco corriqueiro ser compreendido.
Carolina, com 11 meses, protesta quando o irmão se delicia sozinho nas maravilhas oferecidas pelos “gadgets”. Já estica a mãozinha e esfrega os dedinhos na tela. Quando consegue o luxo de ter um só para ela nas mãos, transborda alegria! E mexe, remexe nos ícones, que passeiam para lá e para cá a partir dos seus movimentos.
Levamos os dois para ver o show do Palavra Cantada. Grupo para lá de bacana, que faz música de MUITA qualidade pensada para as crianças. Grupo para lá de conhecido por meus pequenos, que veem intermináveis vezes sua cantoria em clipes baixados e nos vários dvds que compramos.
A mãe – euzinha – pedagoga orgulhosa da bagagem musical que procuramos oferecer para eles. Pessoa nascida e criada e formada em outros tempos, pré-conceituosa com várias ideias que cercam a relação entre tecnologia e educação. Assisti meu filho feliz no show, encantado com aquela cor toda, aquele movimento todo, todo aquele som ao redor. Mas confortável, BEM confortável, com a visão do TELÃO. Por que não aproveitava para ver só o “ao vivo”? Por quê? Talvez apenas porque o telão faz parte da vida dele. It’s not a big deal! (Estou ainda incomodada, viu? Mas sigo pensando…)


Que tal a gente abrir este debate, pessoal??    

terça-feira, 21 de maio de 2013

“Mas as crianças gostam” ou repertórios de games educativos...


Mais um post da parceira de Xmile, Juliana Uggioni. Aproveitem! =)
“Temos um grupo de estudos, Ianderecó, que se reúne uma vez ao mês, para discutir temas relacionados à díade educação-tecnologia. A “tarefa de casa” do nosso último encontro foi fazermos análises de sites de jogos educativos disponíveis no mercado.
Neste encontro, muitas observações foram levantadas por mim e minhas colegas, como: músicas extremamente irritantes, cenários esteticamente pobres, propostas nada desafiadoras, jogabilidade zero… O que, infelizmente, não foi surpresa para nós, pois esses sites de jogos ditos “educativos, interativos e lúdicos”, com uma proposta inovadora, transgressora e diferente da escola [tradicional – tão criticada por muitos], não passam muitas vezes de meras cópias dos “livrinhos de atividades” vendidos em bancas e mercadinhos.
Neste processo de análise, me lembrei do texto intitulado Mas as crianças gostam! Ou, sobre gostos e repertórios musicais”, de Luciana Esmeralda  Ostetto, que traz uma pesquisa sobre o repertório musical na educação infantil. A autora analisou as músicas que as professoras utilizam em sala com as crianças, e percebeu que o repertório musical era fundamentalmente Xuxa, Rouge, Tcham… E as justificativas para a utilização deste repertório eram sempre as mesmas: “porque as crianças gostam”. Em contrapartida, Ostetto defende que “se tomarmos por referência um processo educativo em que o direito a infância e à educação infantil de qualidade estejam pautados como base e horizonte de toda ação pedagógica, diremos que respeitar é acima de tudo comprometer-se com as crianças, por inteiro. Significa, portanto, saber ouvir o outro, num exercício de interlocução, buscando a compreensão do que está sendo dito em gestos, palavras, atitudes para então colocar em relação os significados emergentes, permitindo a reconstrução de sentidos.
 Seguindo o “conselho” de Luciana, levei para as crianças da Escola Faria Brito - RJ, que fazem parte da nossa pesquisa da Xmile, opinarem sobre os sites que analisamos. Será que elas gostam? E nas palavras de Luciana: “E, se gostam, como discutir, criticar, propor outra coisa, diferente?”
As crianças entraram nos sites e escolheram os jogos de suas preferências e deram opinião sobre eles. Resumo da conversa: a primeira reação foi desligar a música [aquilo é música?!], só jogaram uma vez, perderam o interesse rapidamente, e acharam muito fáceis e sem criatividade.
Talvez, caibam dois alertas: nem tudo que achamos que as crianças gostam, elas realmente gostam; e, também, para gostar, as crianças têm que ter um repertório amplo de experiências que as permitam ter opções do que gostar ou não, e isso cabe a nós, pais e educadores proporcionar. =)”
Valeu, Juli!
E aí, pessoal? Vamos debater, discutir, comentar? E, depois, aguardem o próximo...

terça-feira, 14 de maio de 2013

Percebendo os games como alternativas reais de aprendizado…


Estamos esquentando os tambores para começar a contar mais detalhes sobre nossos jogos da Xmile, que esta semana foram pela primeira vez experimentados “inteirinhos” pelas crianças que vêm participando parte a parte de sua criação... Muito legal o feedback delas! Aguardem lendo mais um post de Juliana Uggioni!! =)

“Cada vez mais as portas das escolas estão se abrindo para os games, e eles vêm se tornando uma alternativa real de aprendizado. Em muitos deles, os estudantes nem percebem que estão jogando um game educativo! No artigo “Game ensinaálgebra as crianças ‘secretamente’”, Vagner de Alencar fala justamente disso.... Um grupo de noruegueses criou o DragonBox Álgebra, no qual as crianças aprendem de uma forma simples e divertida as noções básicas de álgebra. Uma das características do game é ensinar “secretamente” matemática para os estudantes entre 6 a 12 anos. Para Joane Chantre, coordenadora de comunicação da startup: “embora seja um jogo para crianças com dragões e figuras animadas, o que verdadeiramente está por trás dele é matemática pura. A criança não percebe que na realidade está resolvendo equações”.

Também, temos exemplos de iniciativas individuais que começaram em sala de aula, como aquela descrita no artigo “Professor ensina história comgames e cartuns. Vinicius Boprê escreve sobre o projeto de Gamificação de Sorocaba, do professor Rodrigo Araújo, que alia tecnologia e o ensino de história através da produção de games e cartuns. Este projeto foi vencedor da categoria de Inovação em Conteúdo do Prêmio Educadores Inovadores da Microsoft. O professor percebeu que os estudantes se interessavam mais pelo conteúdo quando ele utilizava recursos como games, animações e cartuns. Ele começou a desenvolver seus primeiros jogos com ajuda de um software chamado Game Maker, mas também, com a participação dos estudantes: “eles desenham, roteirizam, buscam informações regionais e, principalmente, aprendem com esse novo método”.

Podemos perceber nestes artigos, e outros já comentados neste blog, que a utilização de games em sala de aula também pode ser um dos aliados do professor no processo de ensino-aprendizado. Na pesquisa que desenvolvemos na Xmile com as crianças da Escola Faria Brito (Barra), podemos perceber que elas aprendem brincando sem se dar conta! No caso, elas enfrentaram o desafio Por um fio, do Sonho do Mundo das Coisas Perdidas, com cinco desafios matemáticos... E o que elas acharam disso? "O que mais gostei é que a gente arruma tudo", diz Maria Clara, de 6 anos, contente por ter realizado o desafio a ela proposto."

Fonte: Xmile learning – pesquisa com crianças do Ciclo de Alfabetização da Escola Faria Brito – RJ/RJ

O que mais depreendemos da pesquisa? Aí já é outra história! Acompanhem aqui no BLOG! =)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ainda sobre o GEDUC - pensando sobre a Geração Y

Já fiz tanta coisa depois do GEDUC que ele já me parece até ultrapassado! Mas é sempre bom compartilhar aquilo que andamos escutando por aí, não e mesmo? Então vamos lá! :-)

Numa fala intitulada "As atividades de aprendizagem e as novas competências na Educação 3.0", Rui Fava começa professando aquilo que volta e meia dizemos aqui: que a tecnologia não "salva", mas é fator relevante nas mudanças. Para o palestrante, o que tem que mudar mesmo são as metodologias de ação pedagógica - e as maiores barreiras são os próprios professores...

Faz uma retomada sobre os diferentes momentos da educação e da sociedade 1.0, 2.0 e 3.0 (já postei sobre isso, trazendo à tona a fala de Jim Lengel, vcs leram?):

- Era 1.0 (1490-1800) - marcada pela mundialização dos países;
- Educação 1.0 (até 1760) - conhecimento entendido como meio de criar instrumentos como extensão do corpo;

- Era 2.0 (1800-2000) - mundialização das empresas;
- Educação 2.0 (1760-1990) - conhecimento como meio que substituiria o trabalho físico;

- Era 3.0 (após 2000) - mundialização dos indivíduos;
- Educação 3.0 (após 1990) - conhecimento é recurso e se busca a substituição do esforço repetitivo. O pluralismo ganha força: as escolhas são abundantes; o "OU" é substituído pelo "E"; e são criadas novas formas de distribuição dos conteúdos.

Fava discorre, anda, sobre a chamada Geração Y (nascidos após 1980) é mais do que ativa, é participativa e interativa; valoriza mapas mentais; realização de observações; formulação de hipóteses; definição de estratégias; focalização em múltiplas coisas ao mesmo tempo; responde aos estímulos inesperados; é barulhenta e "pública".

Como pensar uma Educação para este público? Neste caso, Fava defende que a linguagem - também corporal, gestual etc. -  assume papel central no processo de ensino-aprendizagem. Estes a quem chamamos nativos digitais apreendem primeiro a imagem, depois o som, e só por fim o texto - o que é difícil para os professores, pois geralmente estruturam suas aulas pelo caminho inverso. As maiores competências desta Geração Y passam por pensar; buscar a essência (separando o útil do descartável); dar soluções alternativas para problemas nunca vistos, que vem requerer soluções singulares e não a repetição do já conhecido - ao que o palestrante chamou de acuidade mental. Além do conceito de acuidade mental, o palestrante destaca como conceitos - chaves que caracterizam esta Geração Y, a pluralidade, a flexibilidade e a adaptabilidade. Sendo assim, uma Educação para esta Geração deverá ser baseada na jogabilidade e na ludicidade (através de games, simulações, animações), pois criará desafios (e esta Geração gosta de ser desafiada).

Por fim, Fava fala sobre as 5 etapas a sere seguidas pelos professores em suas ações pedagógicas:

1) escolha dos conteúdos: o que devo disponibilizar? Quem escolhe? O currículo deveria se preocupar com o conhecimento aplicado, portanto, todos os conteúdos devem ter objetivos claros que justifiquem sua seleção;
2) organização dos conteúdos: o que oferecer e quando fazê-lo? Focando sempre na ideia de conteúdos aplicados;
3) disponibilização dos conteúdos: escolha de metodologias plurais, midiáticas e inovadoras - lembrando que o que determina o método é o conteúdo!
4) distribuição dos conteúdos: cada vez com mais terceirização, e muito mais coisa gratuita, como TED, por exemplo;
5) avaliação dos conteúdos: que indicadores vão avaliar este processo?

E em breve tem mais postagem! Aguardem! :D

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Games e vídeos na sala de aula – será que rola??


Mesmo sendo hoje o Dia da Mentira, a conversa aqui é bem verdadeira! Já não dá mais para negar as inúmeras mudanças que estão avançando cada vez mais rápido nos processos pedagógicos. E assim começamos o mês de abril com mais uma contribuição da Juliana Uggioni, que trabalha comigo na Xmile... J
“Em outro post falamos sobre a desmistificação do temível celular em sala de aula, e hoje falaremos de outro suposto “vilão”: os games. No artigo “Games devem ser aceitos dentro da escola”, Mariana Fonseca e Vinícius Bopprê trazem algumas dicas de como desenvolver um jogo para ser usado na sala de aula. E para isso, é preciso entender que o jogo tem vários conteúdos, mas é do professor o papel de mediador, pois o game é apenas mais uma ferramenta complementar. Neste sentido, cabe ressaltar que, embora a estratégia de games possa ser uma motivação dentro e fora da escola, os conteúdos a serem trabalhados não devem se limitar aos games. Além disso, cabe ainda lembrar sempre que o erro é importante para o aprendizado e que o game pode favorecer a capacidade de adaptação dos estudantes à realidade escolar – mas, sobretudo, nunca se pode perder de vista que um game tem que ser divertido!

Mesmo que cada vez mais as escolas estejam sendo adeptas a outros recursos, e a diferentes propostas de ensino-aprendizagem que não o tradicional, ainda há, como já dito, grandes resistências e mitos em torno deste assunto.  Para educador e pesquisador Gustavo Nogueira, em seu artigo Videogame além da diversão, ainda há uma preconceito por trás do aprendizado por meio dos jogos. Mas mesmo nadando às vezes contra a maré, ele, em suas pesquisas, chegou à conclusão que vem corroborar com as propostas da Xmile, por exemplo: o pressuposto de que “os jogos são capazes de contar uma história à sua maneira e, por isso, são fonte de conhecimento.”

Como vocês vêm nos acompanhando no desenvolvimento da nossa plataforma, já devem ter percebido as semelhanças dos argumentos centrais construídos nestes dois artigos, com nossas ideias de jogos narrativos interativos para o Ciclo da Alfabetização (1º ao 3º ano do EF). O que buscamos é necessariamente o pioneirismo, mas entender o que as crianças e adolescentes, escolas, professores e familiares demandam – e assim oferecer-lhes um recurso facilitador da produção de conhecimento significativa.
E com certeza nosso sonho está se realizando! Os encontros semanais nas escolas-parceiras são ricas fontes de feedback e aprendizagem para tod@s nós!”


Crianças em atividade com a equipe Xmile na Escola Faria Brito / Oficina da Criança
Rio de Janeiro


segunda-feira, 25 de março de 2013

Brincando a gente aprende?


Em matéria lida recentemente, “Autoaprendizado e tecnologia: mistura poderosa, Terry Heick concede uma entrevista e versa sobre aspectos muito interessantes concernentes ao papel da tecnologia na educação. Brinco abaixo de intercalar algumas reflexões pessoais com as frases da matéria (entre parênteses):

“Não só os alunos podem aprender com jogos e brincadeiras, mas eles só aprendem brincando”.

O papel da brincadeira tem sido foco de discussão aqui neste blog e em tantas e tantas produções da área educacional. Sem descuidar da saudável e legítima problematização em torno da pedagogização das brincadeiras, e sem deixar de reforçar todo o tempo a necessidade (e o direito!) de as crianças brincarem livremente, explorarem os 4 elementos da natureza, experimentarem movimentos corporais diversos etc., considero que os games e outros jogos que usam os computadores, tablets e celulares como suporte também devem ser por nós melhor considerados.

“Aprender com jogos e brincadeiras estimula o aluno de várias maneiras, incentivando-o a experimentar uma forma livre de ridicularização ou correções. Numa sala de aula tradicional, os alunos aprendem a obedecer e a “ir bem na escola”. Por meio das brincadeiras, eles são guiados pela curiosidade, imaginação e pela disposição em relação a algum tema conquistada por uma autopercepção”.

Optar pelo uso de jogos, entretanto, não assegura nada disso. É sabido que mais do que a coisa em si, é a maneira como a trabalhamos que mais faz diferença. Isso é: há quem proponha jogos e crie competições, animosidades e até mesmo a percepção de fracasso por não conseguir obter bons resultados nos mesmos. Portanto, a utilização de jogos, para ser entendida como vinculada à curiosidade, imaginação etc., deve ser cuidadosa.

[Na aprendizagem por projetos], o processo de aprendizagem é mais importante do que o resultado do projeto em si. 

Do mesmo modo, na brincadeira, a ato de brincar é mais significativo do que o resultado ali obtido – ou seja, o processo lúdico é mais importante do que o eventual resultado de “certo ou errado”, “venceu ou perdeu”.

Para que isso acontecesse nas salas de aula, precisaríamos ter professores com “completo domínio sobre como as pessoas aprendem e sobre os inúmeros modelos de aprendizagem disponíveis, principalmente como resultado da inovação tecnológica”.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vamos refletir junt@s sobre algumas propostas de sites educativos? – parte 2

Não sei se leram alguns posts aqui no blog que tiveram a participação da Marta Sampaio. Pois é! Cá está ela de volta, analisando sites educativos e problematizando alguns aspectos. Assim como na postagem passada eu analisei um brasileiro, a série de postagens continua com a análise que Marta fez de um americano criado por uma empresa que está desde 1999 no mercado de conteúdos curriculares animados.
Interessante destacar que eles fazem uma espécie de curadoria de filmes e propostas interativas em 6 diferentes áreas (ciências, saúde, leitura, escrita, matemática e estudos sociais) – claro, baseados no currículo de lá. Mas este site assume que seus personagens vão, na realidade, “introduzir novos temas e ilustrar conceitos complexos”, isto é, a criança-personagem faz o papel do adulto-educador do mundo físico, mantendo a mesma estrutura hierárquica daquele que sabe, explicando para aquele que não sabe.
Na lição analisada, uma menina tem um robô como companheiro e apesar de ele só fazer “Beep”, ele se expressa com expressões básicas (olhar e gestos). É o interlocutor da menina/professora e representa cada estudante. As lições têm uma apresentação muito colorida que lembra os desenhos animados. A voz parece a de uma criança (jovem). A “lição” é tradicional com apresentação, explicação e exemplos. Pode-se pausar a qualquer momento e depois recomeçar. Depois da “aula” existem várias opções de atividades: um jogo; uma atividade para impressão; uma história em quadrinhos; uma brincadeira ou piada; um “painel de palavras”, no qual cada termo essencial da lição é retomada conceitual e separadamente; uma entrada para o professor com ideias sobre a aula e outras atividades; um espaço para a criança desenhar; uma proposta de produção escrita; sugestão de livros, que falam sobre o assunto, para a devida idade; e, finalmente, uma pergunta cuja resposta pode ser escrita ou desenhada. Depois ainda estão disponíveis dois testes: um fácil e outro difícil.
Tomando a aula sobre medição – centímetro, metro e quilômetro – como exemplo:
- jogo: o que é maior que um metro e o que é menor? O estudante então arrasta as imagens para o espaço correto (arrasta e cola). OBS: todos os desenhos são do mesmo tamanho: uma casa, um caracol, um dinossauro, um carro....
- atividade a ser impressa: o sapo está com fome. Use uma régua para levar sua língua até a comida (a cada imagem de sapo um tamanho em centímetros diferente)
- história em quadrinhos: nesta um peixe pergunta ao outro porque ele vai dormir sobre a régua. A resposta: Quero saber quão longo é meu sono.
- brincadeira: jogo de palavras
- Mural de Palavras: definição de metro, centímetro, quilômetro, régua de metro,  e distância
- desenho sobre o assunto: faça um desenho e depois dê as medidas (o desenho é feito no computador e depois impresso para ser medido com a régua).
- escrita sobre o assunto: pede que o aluno diga se concorda ou não com a seguinte afirmativa: Molly disse que há 100 metros em um centímetro. Você concorda? Explique.
- leitura sobre o assunto: lista de títulos de livros infantis.
- pergunta final: numa folha com três colunas, pede que o estudante indique em cada coluna o que pode ser medido em: centímetro, metro e quilometro A resposta pode ser desenhada.
Apesar de o material parecer dialogar com a faixa etária e o conhecimento conceitual apresentado, é como se fosse a reprodução de uma professora dando uma aula. Sem entrar neste post na discussão filosófico conceitual que alicerça as propostas tradicionais aqui formuladas (bem como as tb sugeridas para o trabalho adicional dos professores e professoras), penso que conhecer este site pode nos trazer indagações importantes para o campo tecnológico: por que reproduzir no mundo virtual a mesma estratégia metodológica e as mesmas propostas que se concretizam no ambiente físico dos escolas?
Assunto análogo já foi por mim explorado no blog do Repensando Museus, quando discuto a diferença entre processos de apropriação e produção de conhecimento nos museus físicos e virtuais. O mais rico é poder aproveitar a web para fazer aquilo que no mundo físico não nos é facultado. Poder me aproximar muito dos detalhes de uma pintura, ampliá-la, parti-la, remontá-la... De igual forma, poder aprender os conteúdos escolares de maneira outra, diferentes daquela que as minhas professoras e meus professores já me oferecem em sala de aula cotidianamente... :)
Bom final de semana para tod@s! E fiquem de olho nas próximas postagens...

segunda-feira, 4 de março de 2013

Vamos refletir junt@s sobre algumas propostas de sites educativos? – parte 1

Como já contei para vcs, venho fazendo incursões no universo de plataformas educativas e penso que há questões que merecem compartilhamento. Por motivos óbvios, vou me eximir de “dar nome aos bois”... Mas a questão não está nos sites em si, mas podermos pensar criticamente sobre alguns aspectos pedagógicos e/ou filosóficos neles envolvidos. Como são vários, numerarei as postagens... J

Começo por um site brasileiro, recente, que amplia gradativamente o seu alcance de atendimento. Desenvolvido por uma empresa de tecnologia, embora ele se proponha a apoiar educadores e famílias no desafio de motivar e incentivar os jovens no hábito de estudar, também atua junto à empresas no que concerne à promoção de ações de marketing social.

Opto por destacar alguns pontos para problematizarmos aqui:

     1)      O que será o hábito de estudo? Essa questão volta e meia aparece nos debates educativos. Por definição, hábito é sinônimo de costume. E, de acordo com a Wikipédia, “Designam-se como costumes as regras sociais resultantes de uma prática reiterada de forma generalizada e prolongada, o que resulta numa certa convicção de obrigatoriedade, de acordo com cada sociedade e cultura específica”. Portanto, coaduno com a corrente que defende os hábitos apenas para as atividades que queremos involuntárias, automáticas, que se fazem sem pensar – sobretudo às de higiene e educação, como lavar as mãos, escovar os dentes, tomar banho, ou cumprimentar as pessoas, agradecer, pedir desculpas ou licença etc.

     2)      Ainda aí trago apenas uma provocação: mais desafiador do que hábito de estudo, me parece o permanente desafio educativo de motivar os jovens a querer saber mais! A perspectiva extrapola a questão do ESTUDO propriamente dito; e se coloca no patamar da curiosidade científica – aquela que, em última análise, é a grande propulsora da produção permanente e dinâmica de conhecimento em todas as áreas do saber. Entendo, então, que os espaços de educação formal e não formal, bem como as plataformas de e-learning (como faz a Xmile Learning S/A, na qual atuo) deve pregar a ideia do PRAZER pelo SABER MAIS, pela DESCOBERTA, pelo APRENDER... Fortalecer a CURIOSIDADE e o DESEJO DE SABER, aliados à CRIATIVIDADE – isto é: em formas originais de solucionar problemas. Isso sim me parece um bom desafio e boa missão...

      3)      Por fim, este site por mim analisado, como a absoluta maioria dos demais – inclusive aqueles bem cotados no mercado! –, oferece uma estrutura SUPER escolar – e cabe aqui nos perguntarmos: a que modelo de escola estão recorrendo? O exemplo por mim analisado tem professora (de óculos e tudo, sempre com a mão para cima, como quem vai escrever no quadro de giz), disciplinas e conteúdos explicitados. Se escolhemos, por exemplo, PORTUGUÊS, TEMA “formação de palavras” e ASSUNTO “vogais e consoantes”, entramos no jogo “dose dupla”, que é apenas de “observe os quadrados que aparecem na tela e junte os pares que combinam”. Se acertamos, os quadrados desaparecem; se erramos continuam ali. A tela a seguir aparece a professora diante do quadro branco, escrito em letra bastão: AS PALAVRAS A SEGUIR COMEÇAM COM QUAL LETRA? QUAIS SÃO VOGAIS E QUAIS SÃO CONSOANTES? RELACIONE AS LETRAS INICIAIS DE CADA PALAVRA. VAMOS LÁ?! – Mas no jogo em si [nível Fácil], não há qualquer menção às vogais ou consoantes; tampouco ao nome das letras. A proposta é um exercício de percepção visual – identificar a letra colorida (ex: U) como letra inicial de alguma das palavras escritas nos quadros (ex: URSO). A especificidade do conteúdo fica fora do alcance do jogo, ao encargo d@ professor(a) presencial. No ASSUNTO “sílabas”, os três jogos (fácil, médio e difícil) são, novamente, idênticos! E a questão em jogo é, mais uma vez, de discriminação/ percepção visual – inclusive utilizando sílabas bastante descontextualizadas, com QUAN ou WIL ou HOR, por exemplo. Nada estava ligado às possibilidades de leitura, e menos ainda, ao uso das sílabas, o que é bem ruim. Neste jogo, o enunciado diz que vai fazer perguntas, e não há pergunta alguma. Em algumas propostas de jogos, a estrutura chega a reproduzir uma aula menos interessante do que aquela que se vê em curso na maioria das escolas: é a professora de pé, na frente do quadro de giz e nossa função é marcar se a frase é exclamativa, afirmativa ou interrogativa. Seria isso um jogo? Há dimensão lúdica nesta proposta? Há qualquer motivação à curiosidade? E volto à pergunta inicial deste item 3): em que modelo escolar estão baseados?

      4)      Ao encerrar, vem nova mensagem: Continue jogando e aprendendo, preparando seu futuro! Essa ideia é também bastante questionável no meio educativo, pois não “preparamos o futuro”, mas o HOJE das crianças. E o futuro se constitui de uma sucessão de hojes! Quando nos baseamos numa concepção de criança como sujeito, e sujeito de direitos, não falamos de um porvir, ou de um futuro adulto, mas de alguém que hoje é criança, tem especificidades como tal, e por estas deve ser respeitada e valorizada.

     5)      Última dica aos interessados em contratar plataformas ou adquirir/assinar estruturas semelhantes: tomando como exemplo o que este site oferece para as crianças de 1º ano EF, vale ponderar: não pode ser tudo apenas ESCRITO – as crianças que ingressam no 1º ano ainda não sabem ler, portanto, é imprescindível ter SOM e CONVERSAR com elas!

O que vc tem oferecido na sua casa, escola ou rede de ensino traz propostas que se assemelham com isso que escrevemos aqui? Cabe ficar de olho... Bj e até dia 07 com mais um post... =D

sexta-feira, 1 de março de 2013

Tecnologia e Educação – abertura de mundo sem promessa de milagre


Dando prosseguimento à provocação que fiz na última postagem, trago dois links de reportagens publicadas dia 18 do mês passado:



Se em uma temos a narrativa da Secretaria Estadual de Educação de SC apontando para a ideia de instrumentalizar alunos de ensino médio e professores com recursos tecnológicos, a outra mostra o uso de tablets para bebês a partir de 6 meses nas creches particulares do RJ.

Interessante podermos problematizar isso e retomar o cerne da questão final da postagem passada: será a díade tecnologia-e-educação mais uma promessa de pílula mágica? Ou podemos entender que o mundo contemporâneo é permeado pela tecnologia e ela pode ser uma forma de ampliação de acesso? Não seria esta díade uma forma de garantir o direito que tod@s têm de aceder aos conhecimentos historicamente construídos? E de, então, poder ressignificá-los, apropriando-se deles e produzindo novos a partir deles?

Entendo que, como mais uma promessa de pílula mágica a tecnologia será um fiasco para a Educação. Mas como MAIS uma porta de acesso ao mundo do saber, ela pode ser fantástica! Concordo com Regina de Assis, quando pondera na reportagem aqui linkada de que a criança pequena tem que ter contato físico direto com a lama, a água, a natureza em geral... E que bom se, ALÉM disso, elas poderem ter acesso a recursos imagéticos – sejam estas imagens sonoras ou visuais – DE QUALIDADE que não teriam no mundo físico palpável...Ops!... Escrevi de “qualidade”?! Huum... Aí já é outro problema... Ah! Vamos discutir isso mais adiante? :D

A próxima postagem está planejada para o dia 4... Olho nela!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ainda pensando sobre os meios e os fins...


Na 2f passada, postei um comentário sobre a necessidade de focar nos fins e não deixar que os meios dispersem isso... Se ali me centrei no exemplo ligado à tecnologia (por que será, hein, minha gente?), agora trago um exemplo observado em sala – no ambiente físico de um espaço de educação infantil.
Certa vez, observando o planejamento de uma turma de crianças de 4 anos, vi que a professora pretendia trabalhar com a classificação de dois atributos. Ela imaginou ampliar as opções das crianças, de forma a favorecer aquelas que por ventura pudessem perceber mais atributos. Assim, organizaria triângulos e círculos, vermelhos e azuis, grandes e pequenos. E distribuiria folhas para as crianças arrumarem as peças em duas “casinhas” (esperando que iriam fazer isso por cor, por forma, ou por tamanho) – as crianças que quisessem poderiam fazer “mais casinhas” e assim organizar de maneiras diferentes. Até aí, beleza. Quando nos encontramos depois e perguntei como transcorrera a sua proposta, ela me contou, preocupada, que tinha sido MUITO difícil para o grupo todo – e que só reconheceram as cores. Foi então que eu vi o material.
O que aconteceu? Exatamente para “apimentar” mais a coisa toda, ela achou boa ideia ainda trabalhar a coordenação motora fina e, ao invés de distribuir as peças triangulares e circulares, grandes e pequenas, vermelhas e azuis, ela deu papeis com as formas desenhadas para que cada criança as recortasse! Pronto! Os recortes indecifráveis fizeram com que o material a ser classificado mantivesse apenas o atributo cor intacto – os demais se perderam. Em suma, mais uma vez, o “meio” atrapalhou o “fim”.
Portanto, planejar uma ação-desafio para meninos e meninas requer que tenhamos claros os objetivos finais daquilo – e que pensemos em formas de fazer isso ser bacana, desafiador etc., sem permitir que os meios lúdicos e prazerosos por nós eleitos; ou que nossa ansiedade por “dificultar mais um pouquinho”, atrapalhem os fins pedagógicos primeiros.
Dia 27 tem mais postagem... Fiquem de olho! Bom final de semana! =) 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os meios e os fins... Como conciliá-los?


A pergunta poderia parecer totalmente inapropriada numa primeira leitura: quem confunde fins e meios?? Mas vejam que coisa interessante estávamos discutindo dias desses na equipe da Xmile...
Se quero que as crianças produzam conhecimento acerca de pequeno-médio-grande, por exemplo, como pensar num jogo-desafio para isso? Ah! Super fácil! O(a) personagem Y estaria, por exemplo, diante de uma esteira de malas do aeroporto, tendo que escolher pegar sua própria mala – que seria a pequena, a média ou a grande. Mas isso parece muuuiiitttooo sem graça num game! Então, podemos fazer a esteira andar... E a criança tem que ter certa destreza no mouse para conseguir pegar a mala; e ainda podemos colocar uma contagem de tempo e as malas “desaparecerem” da esteira caso a criança não a alcance. Hummm... Por que não incrementar mais? Ao invés de ser a(o) personagem pegando, poderia ser o guindaste externo... Então a criança teria que saber fazer o guindaste funcionar verticalmente para cima e para baixo, e horizontalmente para frente e para trás) e, uma vez eleita a mala correta (a pequena, a média ou a grande), elas estariam numa esteira que também se move (novamente na horizontal, para a direita ou esquerda) e em certa velocidade, num determinado espaço de tempo. Ah! Agora sim me parece interessante e bastante desafiador! ... Será??!! :P 
Vejamos o que está em jogo: queremos favorecer que a criança descubra/consolide os conceitos de pequeno, médio e grande, certo? Se ela não consegue completar o jogo em tempo hábil e as malas “somem” da tela, posso afirmar que ela não internalizou/consolidou estes conceitos-focais (fins)? Ou que pode ter tido dificuldade em manipular o guindaste, em sintonia com a esteira e, ainda, num tempo espremido (meios)??
MUITOS dos jogos de internet por nós analisados caem nessa “pegadinha”... Na ânsia de serem “interessantes” às crianças, acabam priorizando os “meios” e não os “fins” pedagógicos. Corroboram para que as crianças façam “correndo” e “de qualquer maneira”, na tentativa de acertar mais do que errar – justamente estimulando atitudes OPOSTAS àquelas que gostaríamos que elas tivessem diante do conhecimento. Como educador@s, o que queremos é que meninos e meninas se detenham diante de desafios, analisem os diversos caminhos e façam a melhor opção... Com calma, lógica, associação de ideias, recorrendo às experiências/vivências/conhecimentos anteriores. E não por ensaio-e-erro apenas, ou na base da “sorte”.
E como fazer isso e ser também lúdico, interessante, desafiador e prazeroso?! Aí já é outra história... Aguardem e verão! =)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

GT Fundamental Brasil – parte I


Embora o plano hoje fosse fazer uma postagem sobre os ambientes formativos, mais precisamente sobre as imagens visuais nos ambientes escolares, acho importante compartilhar a experiência que vivi (intensamente!) nos dias 15 e 16 passados, em Brasília/DF.

Fui convidada a fazer uma fala sobre a pesquisa que venho partilhando com vocês aqui no BLOG no VI GT Fundamental Brasil – Currículo e Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento para o Ciclo da Alfabetização, organizado pela Coordenação Geral do Ensino Fundamental (COEF), da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC). O objetivo era que eu fizesse um recorte sobre a “Consolidação do Ciclo da Alfabetização”: como o Ciclo está implantado no Brasil; que pontos se mostram mais positivamente instalados; que percursos ainda vão requerer mais atenção etc. O evento contou com representantes do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e das Secretarias Municipais de Educação das capitais; com as representações estaduais da União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIMEs); pesquisadores e convidados, reunindo mais de 120 pessoas no Centro de Eventos e Treinamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio, e pretendeu provocar um debate coletivo dessas diferentes vozes sobre currículo e direitos de aprendizagem e desenvolvimento para o Ciclo da  Alfabetização. 

Feita e desfeita a mesa oficial de abertura, Jacqueline Moll inaugurou a série de conferências com o tema “Educação Integral e o Ciclo da Alfabetização”, começando por apontar a realidade que todos gostaríamos de já ter superado: não estamos, ainda em 2012, garantindo igualdade de condições de acesso e permanência às crianças na Educação Básica – direito assegurado pela Constituição de 1988. Propõe que, para o enfrentamento desta questão, antes de tudo, mudemos nosso olhar para os meninas e meninos: que todos possam vê-la(o)s como sujeitos históricos, sociais e culturais de direito, cidadã(o)s plen(a)os de potências e saberes. Este olhar vai de encontro com o senso comum construído ao longo da história, que segrega e elimina do sistema as crianças mais vulneráveis, alimentando um perverso ciclo de exclusão social.

Jacqueline defende, então, que uma maior permanência na escola, com oferta de propostas dinâmicas, criativas e variadas, planejadas de forma a ampliar e qualificar as condições de acesso das crianças aos conhecimentos científicos, éticos e estéticos – como propõe o Programa Mais Educação (PME) – seja um dos movimentos que vão ao encontro do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). No turno estendido/integral consolidado no PME, mais facilmente os diferentes campos de saber/ áreas de conhecimento se entrecruzam, formando um corpus mais orgânico, que busca atuar junto às crianças em sua inteireza, interferindo, inclusive, em seu rendimento escolar – não apenas porque também oferece às meninas e meninos atividades de apoio progressivo, mas em razão de estimular sua capacidade de resolver conflitos, as desafiar em suas outras potencialidades, fortalecer sua autoestima e seus laços identitários, entre outros aspectos.

Depois de Jacqueline, Telma Ferraz Leal falou sobre “Alfabetização como Direito de Aprendizagem”, destacando a pesquisa realizada que apontou grande influência da perspectiva sociointeracionista nos currículos analisados, sobretudo tendo Vygotsky como interlocutor privilegiado; bem como as teorias de gênero de Bakhtin; a perspectiva construtivista de Piaget e os estudos sobre a psicogênese da língua de Emília Ferreiro – e, ainda, Paulo Freire como marco inspirador de base. A análise dos dados também apontou a ênfase na apropriação do sistema alfabético de escrita, e o trabalho de leitura e produção de textos desde o início do Ciclo. As dimensões de oralidade foram menos evidenciadas nos documentos analisados, pois houve quem entendesse que isto não é necessário ser desenvolvido porque as crianças já sabem falar sua língua materna... L

Telma discorre sobre as tensões e os embates derivados destas diferentes concepções teóricas/conceituais vigentes nesta área; bem como os conflitos acerca dos objetos de ensino e as estratégias metodológicas que se desenvolvem no chão da escola. Defende que é preciso buscar consensos nacionais a fim de estabelecer princípios e parâmetros sobre os quais as políticas públicas possam se alicerçar – e que a noção de direitos é um ponto de partida.

A terceira conferência foi com Viviane Pinto, representante do INEP, mas acredito que melhor será dividir a postagem em partes, de forma que não fiquem muito longas... Acompanhem!!

Até a próxima 4f! =)  

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pensando de forma mais ampla a implementação do Ciclo da Alfabetização...


A intenção deste post é fechar a tríade de reflexões sobre o conceito de Ciclo da Alfabetização. Isso porque é sabido que não basta “implantar” o Ciclo da Alfabetização – esta implantação, para se consolidar qualitativamente, requer adaptações: tanto derivadas do fato de o ensino de 9 anos trazer para o EF as crianças de 6 anos, quanto pela razão de o Ciclo requerer mais flexibilidade das propostas pedagógicas, com atividades diversificadas e/ou projetos, o que implica em adaptações no espaço físico, no mobiliário, e ainda na aquisição de materiais pedagógicos, livros e jogos para as salas de aula e para a escola em geral.

Entendo que se deva tomar como ponto de partida uma perspectiva mais ampla e orgânica de que o Ciclo da Alfabetização corresponde ao trabalho desenvolvido formalmente nos 3 primeiros anos do EF, de forma contínua e progressiva, sem retenção das crianças, de maneira a dar-lhes mais tempo para solidificar seus processos de apropriação e produção de conhecimentos, sobretudo no que tange ao domínio da escrita alfabética e ao letramento, isto é, ao uso reflexivo das linguagens oral, gráfica e escrita em seus diferentes gêneros textuais. O trabalho no Ciclo da Alfabetização, então, pressupõe um investimento nas crianças em suas singularidades e a valorização dos seus diferentes saberes prévios e, consequentemente, requer um currículo que respeite sua diversidade e pluralidade culturais – currículo este que deve ser dinamizado através de propostas de organização de espaços&tempos que abarcam metodologias que se sustentam na possibilidade de atividades diferenciadas ocorrendo simultaneamente nas turmas; da oferta em quantidade de material escrito de qualidade; de avaliações variadas e permanentes, de caráter diagnóstico e descritivo, que possam gerar ações voltadas à superação de obstáculos percebidos; de espaços físicos que viabilizem, tanto propostas individuais, quanto em pequenos e grandes grupos; de espaços que congreguem as diversas identidades infantis ali presentes, fomentando a percepção de pertencimento nas meninas e meninos da sala; de espaços que favoreçam o desenvolvimento da expressão autônoma e autoral de todos os sujeitos nele envolvidos em suas múltiplas linguagens; de planejamentos dinâmicos e interdisciplinares, elaborados coletivamente com alunos e professores de todas as turmas do Ciclo da Alfabetização, de forma a assegurar a organicidade do processo.

Ainda, sobretudo pelo fato de o 1º ano do EF receber crianças de 6 anos, torna-se imprescindível que o trabalho desenvolvido no Ciclo da Alfabetização valorize o lúdico, o jogo, a brincadeira, a imaginação e a fantasia infantis, bem como as diversas formas expressivas da Arte.

Por fim, faz-se necessário que os professores que atuam no Ciclo da Alfabetização possam ter amplo acesso à formação permanente, principalmente sobre: do conceito de Ciclo; da problematização acerca da cultura da repetência; do desenvolvimento infantil nesta faixa etária; da necessidade da ludicidade nos processos pedagógicos; das propostas metodológicas de alfabetização / letramento e seus respectivos arcabouços teóricos, incluindo instrumentos e métodos de avaliação; propostas metodológicas que privilegiem a criação inédita e pessoal de cada criança em suas diferentes linguagens; e ainda oportunizando o desenvolvimento autoral de sua própria expressão escrita, entre outros aspectos.

O processo de implantação do Ciclo da Alfabetização assim compreendido acaba por deflagrar a busca por alternativas – na maioria das vezes já disponíveis – que favoreçam soluções para a melhoria do desempenho das crianças: caminho oposto àquele que se alicerçava na anteriormente instaurada cultura da repetência, na qual o desinvestimento no aluno era maior e mais explícito.

Somente tendo atendidas estas e outras diferentes variáveis podemos acreditar que seremos capazes de cumprir a meta-compromisso de alfabetizar/ letrar todas as crianças do Brasil até seus 8 anos de idade.
Isso posto, proponho: que tal comentarem e partimos para discutir questões referentes ao espaço físico a partir da próxima semana? Até lá!! =))

domingo, 22 de abril de 2012

Conhecendo LAJEADO, no RS!

Os três dias anteriores tinham sido de virada – cercada de Daniela, Ariane e Adriana, fechava as tabulações dos inúmeros questionários para a elaboração do segundo relatório parcial da pesquisa. Assombros positivos e negativos eram partilhados em voz alta na mesa de jantar que acolhia a todas.
Fim da tarde de domingo, dia 15 de abril, chegava a hora de partir. Destino: Lajeado, no RS – município que representaria a Região Sul na pesquisa que coordeno dentro da consultoria sobre os Ciclos da Alfabetização. O voo era para POA e na manhã de 2f, um ônibus para Lajeado.
Chegar na rodoviária de Lajeado e ser recebida por Sr. João (que todos chamam de Chico) já foi incrível! Simpático, falante, ensaiava palavras em Espanhol e Alemão – hilário! Adriana Ganzer foi comigo e fomos levadas diretamente para a Secretaria de Educação, onde conheci as Coordenadoras Roseli (com quem trocava correspondências e telefonemas) e Vanessa, e a Secretária de Educação, Rejane.  Assim como na Região CO, nosso encontro visou explicitar a pesquisa e, sobretudo, ouvir suas falas sobre o Ciclo, vantagens, dificuldades, estratégias de superação etc. Também aproveitamos para conversar/debater sobre as respostas dadas aos questionários e, ainda, sobre os índices demográficos educacionais do município.
Almoçamos e partimos para a EMEF Capitão Dieter, numa zona mais rural. Escola pequenina, com poucos alunos, que impressiona pelo cuidado, limpeza e organização. Inicialmente me sentei com a equipe gestora para conversar sobre o projeto e ouvi-los sobre a escola, sobretudo tirando dúvidas sobre o questionário enviado. Em seguida fui conhecer a sala que atende, juntas, as crianças do 1º ao 3º  ano do EF. Ótimo encontrar brinquedos e todo o material ao alcance dos meninos e meninas do grupo!

Às 18:30h nos reunimos na Secretaria de Educação com o grupo de cerca de 25 professores e equipe pedagógica das cinco escolas municipais que adotam o sistema de Ciclos de Formação Humana. Ali também a proposta foi ouvi-los em suas angústias, vitórias, sugestões... Muito participativos, trouxeram importantes contribuições à investigação.
No dia seguinte, fomos recebidas cedo na EMEF Guido A. Lermen, onde passei o dia inteiro.  
Começamos também com uma conversa informal e esclarecedora junto à equipe gestora e partimos para a visita de observação das turmas de educação infantil / 1º ano (que trabalham juntas); e do 2º e 3º anos do EF. Nesses momentos, procurei observar as crianças em atividade, conversar com elas e com @s professor@s, observar a organização dos espaços e materiais etc. Também aqui a presença dos brinquedos, da autoria e da identidade das crianças chama atenção nas salas de aula! Que coisa boa, minha gente!!!

Nesta escola desenvolvi, ainda, a proposta de narração de história e escrita de cartas para as crianças do 4º ano, que no turno da tarde estavam juntas das do 5º ano (em breve publicarei as fotos no BLOG do Cartas entre Marias).
As duas escolas visitadas têm bibliotecas bem montadas e acolhedoras, que favorecem o interesse das crianças pela literatura...
Escola Guido
Escola Capitão
Nesta segunda noite, encontrei-me na Secretaria de Educação com um grupo de cerca de 25 pais e mães das crianças do Ciclo da Alfabetização das cinco escolas da rede organizadas em Ciclo. Foi muito legal ouvi-los e perceber o quanto aquele grupo está envolvido e comprometido com o trabalho desenvolvido pelas escolas...!
Na 4f às 7h, parti para a rodoviária e segui para Porto Alegre. De lá, tomei um avião para São Paulo, onde participei da noite de premiação do Programa Pelo Direito de Ser Criança, da UNILEVER – mas aí já é outra história! Conto em outra postagem... =)
Notinha de rodapé: no sábado, dia 21/4, sigo de SP para Recife – Região NE, aqui vou eu!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cadê a brincadeira que estava aqui? E escola comeu?!

Por fim, também 81% das pessoas marcaram em nossa primeira enquete que é importante oferecer propostas de ensino-aprendizagem envolvendo o lúdico e o imaginário.

A discussão sobre o brincar na escola é antiga. O embate passa por fases nas quais a brincadeira livre e espontânea era estimulada; outras, como que em movimento oposto, rejeitavam qualquer menção ao lúdico e apregoavam que a escola é exclusivamente lugar de estudar – e que a educação infantil, seria, então, lugar de proposta jogos e brincadeiras dirigidas que estimulassem a cognição, a psicomotricidade, o raciocínio lógico, a linguagem oral e escrita, a ciência etc.. Também essa linha, embora resistente, está sendo revisitada e hoje sabemos que a escola, em particular os três primeiros anos do Ensino Fundamental (correspondente ao Ciclo da Alfabetização), mais enfaticamente após a concretização do EF de 9 anos, pode se consubstanciar como espaço de apropriação e produção de conhecimento, onde afeto e cognição podem caminhar juntos, e ainda onde a ludicidade pode ser pano de fundo. Nesse sentido, é importante (re)frisar a importância das brincadeiras livres – sozinhos, em pares, em pequenos e/ou grandes grupos; dos jogos dramáticos e de faz de conta que estimulem a fantasia e o imaginário; das oportunidades de movimentação ampla e de exploração dos diferentes espaços, sobretudo daqueles que propiciam contato direto com a natureza; de ensinar os jogos tradicionais e de oportunizar o acesso aos mecanismos tecnológicos contemporâneos; enfim!
Vamos nos valer a inserção das crianças de 6 anos no EF não para engessá-las em propostas endurecidas; mas para, com elas, trazer mais alegria e movimentação às demais crianças..., seguindo o que diz o documento Ensino Fundamental de 9 anos – orientações gerais (MEC/SEB/DPE/COEF: 2004, p.11): lutemos por uma escola “(...) com novos parâmetros de qualidade. Uma escola que seja um espaço e um tempo de aprendizados de socialização, de vivências culturais, de investimento na autonomia, de desafios, de prazer e de alegria, enfim, do desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões. Essa escola deve ser construída a partir do conhecimento da realidade brasileira.” E ainda nessa perspectiva, nos inspiremos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (CNE/CEB. Parecer nº 22/98), que nos fornecem elementos importantes para a revisão da Proposta Pedagógica do Ensino Fundamental, pois destacam que “sentir, brincar, expressar-se, relacionar-se, mover-se, organizar-se, cuidar-se, agir e responsabilizar-se são partes do todo de cada indivíduo (....). Tudo isso deve acontecer num contexto em que cuidados e educação se realizem de modo prazeroso, lúdico. Nesta perspectiva, as brincadeiras espontâneas, o uso de materiais, os jogos, as danças e os cantos, as comidas e as roupas, as múltiplas formas de comunicação, de expressão, de criação e de movimento, o exercício de tarefas rotineiras do cotidiano e as experiências dirigidas que exigem que o conhecimento dos limites e alcances das ações das crianças e dos adultos estejam contemplados.”