TEMÁTICAS TRATADAS AQUI

SÃO TANTOS OS TEMAS IMPORTANTES E INTERESSANTES NA ÁREA... SE NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2012 PROPUS UM RECORTE EM TORNO DA ALFABETIZAÇÃO/ LETRAMENTO, DE SETEMBRO 2012 A FEVEREIRO 2013 A QUESTÃO FOCAL FOI A PRIMEIRA INFÂNCIA. ASSIM SENDO, A PARTIR DE ENTÃO O PAPO VAI SER OUTRO... TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO - PODE? APROVEITEM! =)



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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

As paredes também falam... Mas o que elas estão nos dizendo?!


Há quase 4 semanas atrás fechei uma postagem com a pergunta: o que as escolas estão disponibilizando em seus ambientes para ampliar e qualificar o universo letrado das crianças do Ciclo da Alfabetização? Se na postagem supracitada eu foquei os Alfabetários e procurei provocar uma reflexão crítica sobres seus usos (e abusos?), hoje a ideia seria passear pela identidade visual das paredes escolares – o que elas comportam? Por que as enfeitamos? Com o que e por quem são decoradas?

A primeira coisa importante é não perdermos de mente que a escola é um sistema social complexo e, assim, não é descolado dos demais. Neste sentido, a consolidação da escola pressupõe a existência de uma comunidade ao seu redor, da sociedade mais ampla na qual ela está inserida, e assim por diante até podermos pensar planetariamente – e se estar em um sistema não é sinônimo de coexistir pacificamente ao redor, ou apartada de outras instituições, tampouco significa reproduzi-las na tentativa de homogeneização, mas implica em compreender-se como parte integrante e interagir com elas.
Nesta perspectiva, uma escola, como ambiente formativo, deve mostrar-se acolhedora a todos os segmentos circundantes e aos atores sociais envolvidos nos processos de apropriação e produção de conhecimento – principalmente para as meninas e meninos-alun@s. Este acolhimento passa pela possibilidade de bem estar de todos, por isso é reflexo da limpeza, iluminação, ventilação, disponibilização de áreas abertas e cobertas, acesso aos elementos da natureza, adaptações de acessibilidade, além de toda a opção de disposição dos móveis, entre outros aspectos. Então, começo provocando: será este ambiente abaixo, acolhedor? Explicita a identidade, a história e a diversidade cultural dos atores sociais ali envolvidos?
 



Ou estes espaços mais se apresentam como locais estéreis e inóspitos, nus, sem qualquer estímulo ou convite à participação/ inserção das crianças; locais que mais parecem não-lugares – terra de ninguém, desabitada?
Impressionante perceber como comumente as escolas pendem para dois lados opostos da balança: entre serem como o exemplo acima, frias e vazias, podendo mimetizar-se com qualquer outra instituição – um hospital, presídio, hospício, repartição pública burocrática... Ou serem superpovoadas de elementos estereotipados e sem qualquer relação com os atores locais e suas culturas, como mostram as imagens abaixo:
 

 



Infelizmente, à estereotipia e à não-autoria expressos em alfabetários, numerários e painéis decorativos de sala de aula são acrescidos, também, exercícios fotocopiados sem significação e empobrecidos, que igualmente passam a povoar o ambiente formativo escolar.
Tanto nas escolas com paredes nuas, quanto naquelas cujas paredes são superpovoadas de elementos criados pela projeção que adultos fazem do que seria infantil, os atores sociais da escola são entendidos e tratados como sujeitos-assujeitados, desprovidos de seus rastros identitários, de sua história e de sua cultura.
Não poderiam estas mesmas paredes acolher uma estética mais dialogal com estes atores? Claro! Vejamos alguns exemplos de duas escolas de Lajeado, MG: Guido Arnold Lermen, e Capitão Felipe Dieter
 

É muito diferente entrar num ambiente acolhedor, convidativo, que se mostra dialogal com a comunidade escolar como um todo e com as crianças de cada turma em particular – um ambiente pleno de fotos das crianças e seus trabalhos autorais, de maneira que todos podem ver e ver-se ali retratados...



Este tipo de proposta aumenta a autoestima e a percepção de pertencimento, favorecendo a participação coletiva. A presença de produções das crianças nas paredes da sala e da escola como um todo também corrobora com a construção de um ambiente alfabetizador, fazendo da escola um tempo de aprendizados de socialização, de vivências culturais, de investimento na autonomia, de desafios, de prazer e de alegria, enfim, do desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões (In BRASIL. Ensino Fundamental de 9 anos - orientações gerais. MEC/SEB/DPE/COEF, 2004, p.10).
Notinha de rodapé
Repararam que esta postagem está 5 dias atrasada?! L
A proposta era postar no Repensando Escolas sempre às 4fs, e no Repensando Museus nas 2fs. Mas... Bem, gente, estou envolvida numa consultoria para a TV Escola que exige, ainda, escrita de textos para uma revista. Além disso, fui selecionada por um edital para uma consultoria bem grande aqui no Rio (que vai trazer MUITAS coisas legais para o BLOG, pois é voltada aos bem pequenininhos!) e, ainda, sondada em outras tarefas junto ao MEC. Resumo: sem chance de manter o blog ativo regularmente! N.E.M  P.E.N.S.A.R!!
Com isso, minha proposta é que curtam o facebook, que está crescendo dia a dia, e cada vez que eu conseguir uma brecha e postar algo por aqui, a Ariane avisa via facebook! Que tal?!
E vamos que vamos!! =)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Abrindo o debate sobre o ambiente formativo na escola


O Projeto Político Pedagógico (PPP) de uma escola reflete sua identidade, isto é, seus modos de ser, agir, pensar e existir; suas finalidades e metas; objetivos e estratégias. Entendido assim, o PPP é composto por um conjunto de normas e princípios orientadores de suas ações cotidianas e, para que possa iluminar fielmente a diversidade de olhares e vozes da comunidade escolar, sua execução/ revisão deveria acolher a participação dos seus diferentes atores sociais: pais, crianças, professores, gestores, funcionários, comunidade circunvizinha. Se o objetivo maior da instituição escolar é favorecer a aprendizagem significativa das meninas e meninos que a frequentam, cabe ao PPP debruçar-se sobre estas expectativas de aprendizagem e traçar meios de as crianças aprenderem com toda a diversidade e adversidade presentes. Portanto, ao estruturarmos um programa de alfabetização/ letramento temos que ter em mente que a escola não é apartada da vida; e que sua função não se encerra nela mesma e, assim, nosso desafio como sistema/ rede de ensino e/ou como escola é sempre sublinhar a importância do conhecimento para a melhoria da vida dos sujeitos aprendizes.

Neste sentido, infraestrutura, recursos didáticos e formação de professores são alguns dos aspectos do PPP que merecem nossa especial atenção, e por isso, vou abordá-los mais detidamente aos poucos neste BLOG, de maneira separada... Começo, então, pela infraestrutura.

Se, como já mencionado, o PPP da escola deve traduzir sua identidade, uma vez que a escola assuma o Ciclo da Alfabetização, ela tem que se preocupar em estruturar e consolidar um ambiente formativo – e este implica, necessariamente, em um espaço acessível, inclusivo, com oferta quantitativa de material e equipamentos variados e de qualidade. Entretanto, é importante compreender que o ambiente formativo de uma escola não se esgota no material específico ofertado, mas passa pelo espaço físico, sua organização, o mobiliário, os materiais diversos – tudo isso compõe o ambiente escolar.

Vera Ireland coordenou uma pesquisa pelo MEC/UNESCO, que publicou em 2007, intitulada Repensando a escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever. Ela foi realizada em 2003 abrangendo todo território brasileiro, e apontou que as salas de aula não são descritas como locais atraentes às crianças. Isto ganha importância aqui, pois o Ciclo da Alfabetização, para ser bem implementado e consolidado, requer a estruturação de espaços físicos que viabilizem, tanto propostas individuais, quanto em pequenos e grandes grupos; de espaços que congreguem as diversas identidades infantis ali presentes, fomentando a percepção de pertencimento nas meninas e meninos da sala; de espaços que favoreçam o desenvolvimento da expressão autônoma e autoral de todos os sujeitos nele envolvidos em suas múltiplas linguagens – em outras palavras: espaços que se constituam em ambientes formativos e acessíveis.

Buscando esmiuçar melhor este trecho supracitado, começo abordando a questão do espaço em si. Quando focamos na esfera mais específica da alfabetização/ letramento, é quase senso comum apregoar que a criança deve estar, desde a mais tenra idade, imersa no mundo letrado. Mas que seria, afinal, este mundo letrado ou ambiente alfabetizador? Logo no início do BLOG, ainda em fevereiro, fiz um post sobre isso... Lembram?

Quando falo de ambiente alfabetizador, digo de um espaço que esteja impregnado do material impresso que nos envolve cotidianamente, explicitando a função social da escrita: desde livros de literatura, revistas em quadrinhos, jornal e bula de remédio, até painéis de propaganda, embalagens de produtos, etiquetas de roupas, ou multas de carro... As palavras e letras, textos em prosa e verso, estão espalhados em diversos suportes e veículos, e a todo o momento nos provocam, informam, escandalizam, emocionam, aproximam, entristecem, ensinam... Entre tantas outras possibilidades. Colocar a criança em estreito contato com o mundo da leitura é ampliar e qualificar seu acesso a todas as variadas formas de escrita.

E como temos visto isso traduzido nas práticas pedagógicas? Os espaços escolares estão repletos de mensagens visuais de caráter educativo/ pedagógico. Quando focamos na perspectiva da alfabetização/ letramento, deparamo-nos com os chamados Alfabetários e seus derivados: cartazes ou similares que mostram as letras ou encontros vocálicos, sílabas e palavras, ilustrados, ou não. Entendidos como recurso pedagógico importante para as crianças em seus processos de apropriação e produção da escrita, parecem estar incorporados de forma naturalizada às salas de aula. E todo elemento cultural que se quer transformar em natural deve ser aqui problematizado: serão estes alfabetários e seus derivados instrumentos de apoio, ou de fragmentação de aprendizagem, na medida em que isolam letras, sílabas, palavras ou encontros vocálicos e os descontextualizam de sua função social na escrita? Serão os alfabetários e seus derivados elementos de apoio, ou de reforço à cópia e ao reducionismo imagético, na medida em que trazem muitas ilustrações marcadamente estereotipadas, como mostram os exemplos a seguir?
 

 
 
 


Ou, ainda, será o alfabetário um elemento de apoio, ou veículo de ampliação de vocabulário descontextualizado? Em outras palavras, um cetáceo característico do Círculo Polar Ártico, como o narval, deve ser mote para as crianças aprenderem palavras com a letra "N"?
Estes exemplos acima, de alfabetários e seus derivados são, em sua maioria, adquiridos pelos professores por “vendedores ambulantes” que vão às escolas, ou ainda em revistas “educativas” vendidas em bancas de jornal.

Na realidade, não é o alfabetário por si que é bom ou ruim; mas, sobretudo, a forma como ele é estruturado e o uso que se faz dele. Vejamos os exemplos abaixo, de alfabetários construídos coletivamente através de palavras, imagens, fotos, nomes de meninos e meninas da turma, e rótulos escolhidos pelas próprias crianças, alunas da EMEF Guido A. Lermen, em Lajeado (RS)...

 

... e outro criado a partir dos nomes das meninas e meninos alunos de uma turma da EM Said Albeny, em Coronel Fabriciano (MG), que fizeram seus próprios autoretratos:
 

A pergunta que se faz pertinente seria: o que as escolas estão disponibilizando em seus ambientes para ampliar e qualificar o universo letrado das crianças do Ciclo da Alfabetização?

Na próxima 4f continuamos esta discussão ainda pela identidade visual das paredes escolares, ok? Aproveitem para dar seus depoimentos e opiniões sobre esse assunto! =)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pensando de forma mais ampla a implementação do Ciclo da Alfabetização...


A intenção deste post é fechar a tríade de reflexões sobre o conceito de Ciclo da Alfabetização. Isso porque é sabido que não basta “implantar” o Ciclo da Alfabetização – esta implantação, para se consolidar qualitativamente, requer adaptações: tanto derivadas do fato de o ensino de 9 anos trazer para o EF as crianças de 6 anos, quanto pela razão de o Ciclo requerer mais flexibilidade das propostas pedagógicas, com atividades diversificadas e/ou projetos, o que implica em adaptações no espaço físico, no mobiliário, e ainda na aquisição de materiais pedagógicos, livros e jogos para as salas de aula e para a escola em geral.

Entendo que se deva tomar como ponto de partida uma perspectiva mais ampla e orgânica de que o Ciclo da Alfabetização corresponde ao trabalho desenvolvido formalmente nos 3 primeiros anos do EF, de forma contínua e progressiva, sem retenção das crianças, de maneira a dar-lhes mais tempo para solidificar seus processos de apropriação e produção de conhecimentos, sobretudo no que tange ao domínio da escrita alfabética e ao letramento, isto é, ao uso reflexivo das linguagens oral, gráfica e escrita em seus diferentes gêneros textuais. O trabalho no Ciclo da Alfabetização, então, pressupõe um investimento nas crianças em suas singularidades e a valorização dos seus diferentes saberes prévios e, consequentemente, requer um currículo que respeite sua diversidade e pluralidade culturais – currículo este que deve ser dinamizado através de propostas de organização de espaços&tempos que abarcam metodologias que se sustentam na possibilidade de atividades diferenciadas ocorrendo simultaneamente nas turmas; da oferta em quantidade de material escrito de qualidade; de avaliações variadas e permanentes, de caráter diagnóstico e descritivo, que possam gerar ações voltadas à superação de obstáculos percebidos; de espaços físicos que viabilizem, tanto propostas individuais, quanto em pequenos e grandes grupos; de espaços que congreguem as diversas identidades infantis ali presentes, fomentando a percepção de pertencimento nas meninas e meninos da sala; de espaços que favoreçam o desenvolvimento da expressão autônoma e autoral de todos os sujeitos nele envolvidos em suas múltiplas linguagens; de planejamentos dinâmicos e interdisciplinares, elaborados coletivamente com alunos e professores de todas as turmas do Ciclo da Alfabetização, de forma a assegurar a organicidade do processo.

Ainda, sobretudo pelo fato de o 1º ano do EF receber crianças de 6 anos, torna-se imprescindível que o trabalho desenvolvido no Ciclo da Alfabetização valorize o lúdico, o jogo, a brincadeira, a imaginação e a fantasia infantis, bem como as diversas formas expressivas da Arte.

Por fim, faz-se necessário que os professores que atuam no Ciclo da Alfabetização possam ter amplo acesso à formação permanente, principalmente sobre: do conceito de Ciclo; da problematização acerca da cultura da repetência; do desenvolvimento infantil nesta faixa etária; da necessidade da ludicidade nos processos pedagógicos; das propostas metodológicas de alfabetização / letramento e seus respectivos arcabouços teóricos, incluindo instrumentos e métodos de avaliação; propostas metodológicas que privilegiem a criação inédita e pessoal de cada criança em suas diferentes linguagens; e ainda oportunizando o desenvolvimento autoral de sua própria expressão escrita, entre outros aspectos.

O processo de implantação do Ciclo da Alfabetização assim compreendido acaba por deflagrar a busca por alternativas – na maioria das vezes já disponíveis – que favoreçam soluções para a melhoria do desempenho das crianças: caminho oposto àquele que se alicerçava na anteriormente instaurada cultura da repetência, na qual o desinvestimento no aluno era maior e mais explícito.

Somente tendo atendidas estas e outras diferentes variáveis podemos acreditar que seremos capazes de cumprir a meta-compromisso de alfabetizar/ letrar todas as crianças do Brasil até seus 8 anos de idade.
Isso posto, proponho: que tal comentarem e partimos para discutir questões referentes ao espaço físico a partir da próxima semana? Até lá!! =))

terça-feira, 26 de junho de 2012

Lugar de livro (também) é no fogão! – partilhando a experiência de Dois Irmãos do Tocantins

Calma, gente! Não se trata da fogueira da inquisição!! Ao contrário! Falo do desejo de disponibilizar livros de literatura infantil às meninas e meninos de uma escola de um assentamento, distante duas horas de caminhão do centrinho da cidade deste município rural de pouco mais de 7 mil habitantes.
Bem, cabe contextualizar, não é? Vocês estão acompanhando minhas viagens para a realização da consultoria para o MEC, via UNESCO, para identificar como estão instalados/ consolidados os Ciclos da Alfabetização em território nacional. Por conta do acúmulo deste trabalho, na reta final nem consegui compartilhar com vocês o que vi/ vivi por aí afora... Mas agora encerrei a empreitada, apresentei relatório final, e estou com mais tempo para poder postar tantos aspectos interessantes sobre alfabetização/ letramento no Brasil. Bem, mas antes de entrar nos pontos mais específicos da pesquisa, ainda vou postar hoje sobre minha ida à Dois Irmãos do Tocantins e, em seguida, a visita à Coronel Fabriciano, em MG. Depois, então, aos poucos, vou trazendo à luz as descobertas e questões tão importantes que surgiram na pesquisa.
De Palmas para Dois Irmãos do Tocantins foram quase 6h de ônibus. Ali me aguardava a doce Marisa da Glória, pessoa atenta e comprometida com a causa, responsável pelas respostas aos questionários destinados à Secretaria de Educação e com quem mantive contato ao longo da pesquisa. Ela é Gestora Educacional deste lugar que tem um total de 12 escolas, das quais 11 atendem ao EF e 10 são rurais, trabalhando com turmas multisseriadas.  Dali partimos diretamente para a primeira escola visitada, EM Aurélio Buarque,  no assentamento Projeto Salomira – escola com 3 salas de aula: uma de 1º ano; uma de 2º e 3º anos; e outra para 4º e 5º anos. No Ciclo da Alfabetização (englobando 1º ao 3º anos) estudam 28 crianças ao todo.
Bem, e o fogão? As salas visitadas têm “cantinho de pesquisa interdisciplinar”...
 e “cantinho de leitura” e, numa delas, este último era organizado sobre um fogão, delicadamente coberto com TNT. Os livros chegam através do Programa Nacional de Bibliotecas Escolares (PNBE) e as crianças leem!! =)

A escola não tem iluminação adequada, seu mobiliário está deteriorado, mas as crianças estão tendo acesso a livros de qualidade! Claro que não podemos cair na armadilha de defender, com isso, que não precisamos melhorar os demais aspectos, uma vez que disponibilizam livros para as crianças... Mas também acho importante ressaltar que, embora todas as (injustas) faltas, professor@s (esta escola não tem diretora, ou equipe pedagógica) tiveram a sensibilidade e perceber a importância da leitura para os meninos e meninas – e isso é lindo!
No dia seguinte, visitei a EM Nova Geração, na Fazenda São João, também distante quase duas horas do “centrinho”. Com mais estrutura – tanto de equipe, quanto física – que a anterior, esta escola atende a 14 crianças no Ciclo da Alfabetização, trabalhando um grupo aglutinado de 1º ao 3º anos do EF.
Ali o “cantinho da leitura” também assume importante papel e procura oferecer um espaço de acolhimento às crianças.
Mais do que isso, pegaram um ex-quarto para professor e estão transformando numa biblioteca,...
... pois além dos livros de literatura infantil dispostos no “cantinho da leitura”, a escola recebe inúmeros livros para professores, jogos pedagógicos e outros tantos materiais e, por isso, estão empenhados em favorecer o acesso das meninas, meninos e adultos a tudo.
  


A certeza que paira é de que um livro fechado é um livro morto – somos nós, leitores, que damos significação àquilo que está ali escrito. Portanto, ter acesso aos livros de qualidade é direito de tod@s; e favorecer este acesso é uma das obrigações da escola.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Lá fui eu para Petrolândia, em PE, às margens do Velho Chico!

A paisagem do sertão ia se descortinando pouco a pouco. Na ida, o entardecer que tinge o céu sem nuvens de seus tons alaranjados e róseos cede lugar à noite, marcada pelo fino contorno da lua, que mais parece o sorriso do gato da Alice no País das Maravilhas.
Na volta, a manhã clara e ensolarada me deixa ver a vegetação árida e contorcida, os cabritos, as cisternas de coleta de água pluvial, os cactos. Foram 16h de ônibus para ir e voltar à Petrolândia, cidade de 32 mil habitantes, às margens do belo e imponente Rio São Francisco.
Na manhã de 2f, dia 23 de abril, eu já estava na Secretaria de Educação reunida com Romélia – a Coordenadora do Programa Alfabetizar com Sucesso – e mais 10 supervisores e coordenadores que compõem sua equipe. A Secretária, Maria do Carmo, também participou da parte final do encontro. Como nos demais municípios visitados para esta consultoria, o objetivo da reunião foi apresentar a pesquisa, esclarecer pontos do questionário por eles respondido, em diálogo com os índices demográficos do município e, sobretudo, ouvir suas angústias, sucessos, estratégias etc. sobre o Ciclo da Alfabetização. A segurança da Romélia em suas argumentações e a confiança que inspira em sua equipe merecem destaque.
Ainda pela manhã iniciei a visita à Escola Municipal José Araújo da Silva, conversando com a equipe gestora sobre a proposta de trabalho e sobre o questionário por elas respondido. Em seguida, circulei pelas 8 salas de crianças de 1º ano 3º anos do EF. Por adotarem o Programa Alfabetização com Sucesso do Instituto Ayrton Senna (IAS), a rotina das turmas é bastante igual, embora a conversa com as crianças abra sempre uma perspectiva inaugural, bem como a atuação dos professores seja sempre diferenciada em algum aspecto.

Nesta manhã, por exemplo, coube a mim coroar o Rei e a Rainha do Soletrando 2012 – uma brincadeira bem animada que estava sendo desenvolvida em uma das turmas observadas, despertando a curiosidade e o envolvimento de todas as crianças.


No fim da tarde, além de visitar mais 2 grupos de meninos e meninas do 3º ano, fiz a atividade com as crianças de uma turma de 4º ano, contando a história do livro CARTAS ENTRE MARIAS: uma viagem à Guiné Bissau (com texto meu e fotos de Virgínia Yunes, editado pela Ed. Evoluir Cultural – veja mais detalhes no Blog).
De noite foi realizado um encontro com cerca de 100 professor@s no Auditório da Escola Municipal Dr. Francisco Simões de Lima, quando procurei esclarecer alguns pontos sobre a minha visita, e ainda preocupei-me em ouvi-los em suas experiências. Bem participativ@s, levantaram algumas questões sobre o Ciclo da Alfabetização, e outras tantas que eram específicas da opção pelo Programa do IAS adotado pelo município em consonância com o Governo Estadual.
Na 3f cedo, a visita foi na Escola Municipal 1º de Maio – com menos turmas do que a anteriormente visitada, esta escola também mostrava os mesmos cuidados com o espaço físico (a hortinha e a plantação de milho são um destaque!),...

... e ali também a equipe pedagógica mostrou-se não só acolhedora e comprometida, como especialmente aberta ao diálogo e disposta a desenvolver o melhor trabalho possível com as crianças. Na visita às turmas de 1º ao 3º anos do turno da manhã, pude presenciar uma brincadeira na qual uma turma estava animada e envolvida, preocupando-se coletivamente com a inserção de uma das crianças, portadora de necessidades especiais – lindo exemplo de inclusão que se repetiu quando fui observar as propostas desenvolvidas neste grupo em sala de aula.
Naquela tarde, voltei à EM José Araújo da Silva, onde fiz mais dois momentos de atividades com as crianças do 4º ano, nos moldes da véspera.
De noite, como última etapa da visita ao município, um encontro com as famílias, novamente no auditório da EM Dr. Francisco Simões de Lima. Foram mais de 80 mães, pais, tias, avós (e mais de uma dezena de crianças!) dando seus depoimentos – todos positivos! – sobre a aprendizagem das crianças no Ciclo da Alfabetização.  A reunião também se mostrou oportuna para a discussão de outros pontos específicos do funcionamento do Programa do IAS – como o “para casa”, ou a quantidade e dificuldade de alguns conteúdos – ou ainda para a reivindicação de questões outras, como a imposição de limites às crianças na escola, matrículas, relações professor-aluno, mais aulas de arte etc.: todos pontos prontamente respondidos por Romélia.
AINDA RESTA DIZER:
Silvinha, como todos a chamamos, já me esperava no aeroporto com seu sorriso e olhar sempre doces e acolhedores. Maravilha chegar a Recife e poder ficar na casa dessa amiga querida, da mesma forma que foi ótimo quando fiquei na casa da Adri em Porto Alegre. Quem tem amigas assim, tem tudo, né? E foi depois de uma deliciosa manhã de passeios por Olinda com Silvinha, com direito a comprar biscoitinhos no convento, que embarquei rumo ao até então desconhecido para mim: o sertão pernambucano.
O cansaço da longa viagem foi amenizado de imediato pela acolhida carinhosa e generosa de Sydcleide – Diretora de uma das escolas que eu iria visitar, que me convidou, mesmo sem me conhecer, para eu ficar em sua casa, junto com sua família: Roberto Carlos, seu marido; Ana Clara e  Antonio, seus dois filhos fofos. Mas esse núcleo se amplia com sua mãe e seu pai, que moram ao lado, e diariamente nos visitam e levam leite fresco, tirado das vaquinhas do curral; com sua irmã, cunhado e sobrinhos – sobretudo o gorduchinho Sergio – também vizinhos, que vêm sempre conversar; e ainda por Preta, cuja gentileza, sorriso e temperos ficarão para sempre na minha memória.
Tenham certeza de que nada do que eu escreva aqui será suficiente para expressar minha gratidão pela acolhida em sua casa nesses dias de trabalho puxado em Petrolândia. A vocês, os meus maiores e mais sinceros agradecimentos!

domingo, 22 de abril de 2012

Conhecendo LAJEADO, no RS!

Os três dias anteriores tinham sido de virada – cercada de Daniela, Ariane e Adriana, fechava as tabulações dos inúmeros questionários para a elaboração do segundo relatório parcial da pesquisa. Assombros positivos e negativos eram partilhados em voz alta na mesa de jantar que acolhia a todas.
Fim da tarde de domingo, dia 15 de abril, chegava a hora de partir. Destino: Lajeado, no RS – município que representaria a Região Sul na pesquisa que coordeno dentro da consultoria sobre os Ciclos da Alfabetização. O voo era para POA e na manhã de 2f, um ônibus para Lajeado.
Chegar na rodoviária de Lajeado e ser recebida por Sr. João (que todos chamam de Chico) já foi incrível! Simpático, falante, ensaiava palavras em Espanhol e Alemão – hilário! Adriana Ganzer foi comigo e fomos levadas diretamente para a Secretaria de Educação, onde conheci as Coordenadoras Roseli (com quem trocava correspondências e telefonemas) e Vanessa, e a Secretária de Educação, Rejane.  Assim como na Região CO, nosso encontro visou explicitar a pesquisa e, sobretudo, ouvir suas falas sobre o Ciclo, vantagens, dificuldades, estratégias de superação etc. Também aproveitamos para conversar/debater sobre as respostas dadas aos questionários e, ainda, sobre os índices demográficos educacionais do município.
Almoçamos e partimos para a EMEF Capitão Dieter, numa zona mais rural. Escola pequenina, com poucos alunos, que impressiona pelo cuidado, limpeza e organização. Inicialmente me sentei com a equipe gestora para conversar sobre o projeto e ouvi-los sobre a escola, sobretudo tirando dúvidas sobre o questionário enviado. Em seguida fui conhecer a sala que atende, juntas, as crianças do 1º ao 3º  ano do EF. Ótimo encontrar brinquedos e todo o material ao alcance dos meninos e meninas do grupo!

Às 18:30h nos reunimos na Secretaria de Educação com o grupo de cerca de 25 professores e equipe pedagógica das cinco escolas municipais que adotam o sistema de Ciclos de Formação Humana. Ali também a proposta foi ouvi-los em suas angústias, vitórias, sugestões... Muito participativos, trouxeram importantes contribuições à investigação.
No dia seguinte, fomos recebidas cedo na EMEF Guido A. Lermen, onde passei o dia inteiro.  
Começamos também com uma conversa informal e esclarecedora junto à equipe gestora e partimos para a visita de observação das turmas de educação infantil / 1º ano (que trabalham juntas); e do 2º e 3º anos do EF. Nesses momentos, procurei observar as crianças em atividade, conversar com elas e com @s professor@s, observar a organização dos espaços e materiais etc. Também aqui a presença dos brinquedos, da autoria e da identidade das crianças chama atenção nas salas de aula! Que coisa boa, minha gente!!!

Nesta escola desenvolvi, ainda, a proposta de narração de história e escrita de cartas para as crianças do 4º ano, que no turno da tarde estavam juntas das do 5º ano (em breve publicarei as fotos no BLOG do Cartas entre Marias).
As duas escolas visitadas têm bibliotecas bem montadas e acolhedoras, que favorecem o interesse das crianças pela literatura...
Escola Guido
Escola Capitão
Nesta segunda noite, encontrei-me na Secretaria de Educação com um grupo de cerca de 25 pais e mães das crianças do Ciclo da Alfabetização das cinco escolas da rede organizadas em Ciclo. Foi muito legal ouvi-los e perceber o quanto aquele grupo está envolvido e comprometido com o trabalho desenvolvido pelas escolas...!
Na 4f às 7h, parti para a rodoviária e segui para Porto Alegre. De lá, tomei um avião para São Paulo, onde participei da noite de premiação do Programa Pelo Direito de Ser Criança, da UNILEVER – mas aí já é outra história! Conto em outra postagem... =)
Notinha de rodapé: no sábado, dia 21/4, sigo de SP para Recife – Região NE, aqui vou eu!!