TEMÁTICAS TRATADAS AQUI

SÃO TANTOS OS TEMAS IMPORTANTES E INTERESSANTES NA ÁREA... SE NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2012 PROPUS UM RECORTE EM TORNO DA ALFABETIZAÇÃO/ LETRAMENTO, DE SETEMBRO 2012 A FEVEREIRO 2013 A QUESTÃO FOCAL FOI A PRIMEIRA INFÂNCIA. ASSIM SENDO, A PARTIR DE ENTÃO O PAPO VAI SER OUTRO... TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO - PODE? APROVEITEM! =)



terça-feira, 1 de maio de 2012

Lá fui eu para Petrolândia, em PE, às margens do Velho Chico!

A paisagem do sertão ia se descortinando pouco a pouco. Na ida, o entardecer que tinge o céu sem nuvens de seus tons alaranjados e róseos cede lugar à noite, marcada pelo fino contorno da lua, que mais parece o sorriso do gato da Alice no País das Maravilhas.
Na volta, a manhã clara e ensolarada me deixa ver a vegetação árida e contorcida, os cabritos, as cisternas de coleta de água pluvial, os cactos. Foram 16h de ônibus para ir e voltar à Petrolândia, cidade de 32 mil habitantes, às margens do belo e imponente Rio São Francisco.
Na manhã de 2f, dia 23 de abril, eu já estava na Secretaria de Educação reunida com Romélia – a Coordenadora do Programa Alfabetizar com Sucesso – e mais 10 supervisores e coordenadores que compõem sua equipe. A Secretária, Maria do Carmo, também participou da parte final do encontro. Como nos demais municípios visitados para esta consultoria, o objetivo da reunião foi apresentar a pesquisa, esclarecer pontos do questionário por eles respondido, em diálogo com os índices demográficos do município e, sobretudo, ouvir suas angústias, sucessos, estratégias etc. sobre o Ciclo da Alfabetização. A segurança da Romélia em suas argumentações e a confiança que inspira em sua equipe merecem destaque.
Ainda pela manhã iniciei a visita à Escola Municipal José Araújo da Silva, conversando com a equipe gestora sobre a proposta de trabalho e sobre o questionário por elas respondido. Em seguida, circulei pelas 8 salas de crianças de 1º ano 3º anos do EF. Por adotarem o Programa Alfabetização com Sucesso do Instituto Ayrton Senna (IAS), a rotina das turmas é bastante igual, embora a conversa com as crianças abra sempre uma perspectiva inaugural, bem como a atuação dos professores seja sempre diferenciada em algum aspecto.

Nesta manhã, por exemplo, coube a mim coroar o Rei e a Rainha do Soletrando 2012 – uma brincadeira bem animada que estava sendo desenvolvida em uma das turmas observadas, despertando a curiosidade e o envolvimento de todas as crianças.


No fim da tarde, além de visitar mais 2 grupos de meninos e meninas do 3º ano, fiz a atividade com as crianças de uma turma de 4º ano, contando a história do livro CARTAS ENTRE MARIAS: uma viagem à Guiné Bissau (com texto meu e fotos de Virgínia Yunes, editado pela Ed. Evoluir Cultural – veja mais detalhes no Blog).
De noite foi realizado um encontro com cerca de 100 professor@s no Auditório da Escola Municipal Dr. Francisco Simões de Lima, quando procurei esclarecer alguns pontos sobre a minha visita, e ainda preocupei-me em ouvi-los em suas experiências. Bem participativ@s, levantaram algumas questões sobre o Ciclo da Alfabetização, e outras tantas que eram específicas da opção pelo Programa do IAS adotado pelo município em consonância com o Governo Estadual.
Na 3f cedo, a visita foi na Escola Municipal 1º de Maio – com menos turmas do que a anteriormente visitada, esta escola também mostrava os mesmos cuidados com o espaço físico (a hortinha e a plantação de milho são um destaque!),...

... e ali também a equipe pedagógica mostrou-se não só acolhedora e comprometida, como especialmente aberta ao diálogo e disposta a desenvolver o melhor trabalho possível com as crianças. Na visita às turmas de 1º ao 3º anos do turno da manhã, pude presenciar uma brincadeira na qual uma turma estava animada e envolvida, preocupando-se coletivamente com a inserção de uma das crianças, portadora de necessidades especiais – lindo exemplo de inclusão que se repetiu quando fui observar as propostas desenvolvidas neste grupo em sala de aula.
Naquela tarde, voltei à EM José Araújo da Silva, onde fiz mais dois momentos de atividades com as crianças do 4º ano, nos moldes da véspera.
De noite, como última etapa da visita ao município, um encontro com as famílias, novamente no auditório da EM Dr. Francisco Simões de Lima. Foram mais de 80 mães, pais, tias, avós (e mais de uma dezena de crianças!) dando seus depoimentos – todos positivos! – sobre a aprendizagem das crianças no Ciclo da Alfabetização.  A reunião também se mostrou oportuna para a discussão de outros pontos específicos do funcionamento do Programa do IAS – como o “para casa”, ou a quantidade e dificuldade de alguns conteúdos – ou ainda para a reivindicação de questões outras, como a imposição de limites às crianças na escola, matrículas, relações professor-aluno, mais aulas de arte etc.: todos pontos prontamente respondidos por Romélia.
AINDA RESTA DIZER:
Silvinha, como todos a chamamos, já me esperava no aeroporto com seu sorriso e olhar sempre doces e acolhedores. Maravilha chegar a Recife e poder ficar na casa dessa amiga querida, da mesma forma que foi ótimo quando fiquei na casa da Adri em Porto Alegre. Quem tem amigas assim, tem tudo, né? E foi depois de uma deliciosa manhã de passeios por Olinda com Silvinha, com direito a comprar biscoitinhos no convento, que embarquei rumo ao até então desconhecido para mim: o sertão pernambucano.
O cansaço da longa viagem foi amenizado de imediato pela acolhida carinhosa e generosa de Sydcleide – Diretora de uma das escolas que eu iria visitar, que me convidou, mesmo sem me conhecer, para eu ficar em sua casa, junto com sua família: Roberto Carlos, seu marido; Ana Clara e  Antonio, seus dois filhos fofos. Mas esse núcleo se amplia com sua mãe e seu pai, que moram ao lado, e diariamente nos visitam e levam leite fresco, tirado das vaquinhas do curral; com sua irmã, cunhado e sobrinhos – sobretudo o gorduchinho Sergio – também vizinhos, que vêm sempre conversar; e ainda por Preta, cuja gentileza, sorriso e temperos ficarão para sempre na minha memória.
Tenham certeza de que nada do que eu escreva aqui será suficiente para expressar minha gratidão pela acolhida em sua casa nesses dias de trabalho puxado em Petrolândia. A vocês, os meus maiores e mais sinceros agradecimentos!

domingo, 22 de abril de 2012

Conhecendo LAJEADO, no RS!

Os três dias anteriores tinham sido de virada – cercada de Daniela, Ariane e Adriana, fechava as tabulações dos inúmeros questionários para a elaboração do segundo relatório parcial da pesquisa. Assombros positivos e negativos eram partilhados em voz alta na mesa de jantar que acolhia a todas.
Fim da tarde de domingo, dia 15 de abril, chegava a hora de partir. Destino: Lajeado, no RS – município que representaria a Região Sul na pesquisa que coordeno dentro da consultoria sobre os Ciclos da Alfabetização. O voo era para POA e na manhã de 2f, um ônibus para Lajeado.
Chegar na rodoviária de Lajeado e ser recebida por Sr. João (que todos chamam de Chico) já foi incrível! Simpático, falante, ensaiava palavras em Espanhol e Alemão – hilário! Adriana Ganzer foi comigo e fomos levadas diretamente para a Secretaria de Educação, onde conheci as Coordenadoras Roseli (com quem trocava correspondências e telefonemas) e Vanessa, e a Secretária de Educação, Rejane.  Assim como na Região CO, nosso encontro visou explicitar a pesquisa e, sobretudo, ouvir suas falas sobre o Ciclo, vantagens, dificuldades, estratégias de superação etc. Também aproveitamos para conversar/debater sobre as respostas dadas aos questionários e, ainda, sobre os índices demográficos educacionais do município.
Almoçamos e partimos para a EMEF Capitão Dieter, numa zona mais rural. Escola pequenina, com poucos alunos, que impressiona pelo cuidado, limpeza e organização. Inicialmente me sentei com a equipe gestora para conversar sobre o projeto e ouvi-los sobre a escola, sobretudo tirando dúvidas sobre o questionário enviado. Em seguida fui conhecer a sala que atende, juntas, as crianças do 1º ao 3º  ano do EF. Ótimo encontrar brinquedos e todo o material ao alcance dos meninos e meninas do grupo!

Às 18:30h nos reunimos na Secretaria de Educação com o grupo de cerca de 25 professores e equipe pedagógica das cinco escolas municipais que adotam o sistema de Ciclos de Formação Humana. Ali também a proposta foi ouvi-los em suas angústias, vitórias, sugestões... Muito participativos, trouxeram importantes contribuições à investigação.
No dia seguinte, fomos recebidas cedo na EMEF Guido A. Lermen, onde passei o dia inteiro.  
Começamos também com uma conversa informal e esclarecedora junto à equipe gestora e partimos para a visita de observação das turmas de educação infantil / 1º ano (que trabalham juntas); e do 2º e 3º anos do EF. Nesses momentos, procurei observar as crianças em atividade, conversar com elas e com @s professor@s, observar a organização dos espaços e materiais etc. Também aqui a presença dos brinquedos, da autoria e da identidade das crianças chama atenção nas salas de aula! Que coisa boa, minha gente!!!

Nesta escola desenvolvi, ainda, a proposta de narração de história e escrita de cartas para as crianças do 4º ano, que no turno da tarde estavam juntas das do 5º ano (em breve publicarei as fotos no BLOG do Cartas entre Marias).
As duas escolas visitadas têm bibliotecas bem montadas e acolhedoras, que favorecem o interesse das crianças pela literatura...
Escola Guido
Escola Capitão
Nesta segunda noite, encontrei-me na Secretaria de Educação com um grupo de cerca de 25 pais e mães das crianças do Ciclo da Alfabetização das cinco escolas da rede organizadas em Ciclo. Foi muito legal ouvi-los e perceber o quanto aquele grupo está envolvido e comprometido com o trabalho desenvolvido pelas escolas...!
Na 4f às 7h, parti para a rodoviária e segui para Porto Alegre. De lá, tomei um avião para São Paulo, onde participei da noite de premiação do Programa Pelo Direito de Ser Criança, da UNILEVER – mas aí já é outra história! Conto em outra postagem... =)
Notinha de rodapé: no sábado, dia 21/4, sigo de SP para Recife – Região NE, aqui vou eu!!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

JACIARA – e lá fui eu!!

O despertador tocou às 4:15h de 2f, dia 9 de abril. Mochila e sacola prontas, rumei para o aeroporto de Floripa a fim de iniciar a peregrinação aérea e terrestre até Jaciara, no sul de Mato Grosso, onde cheguei às 14h (hora local – para mim, já eram 15h!).
Carinhosamente recebida na rodoviária por Wanderlucy e Sr. Manoel, deixamos as coisas no Hotel e seguimos para a EM Maria Villany Delmondes para um primeiro “reconhecimento de terreno” e, de lá, fomos para uma reunião na Secretaria de Educação – eram 12 presentes entre Secretária, ex-Secretário, Diretoras de Escola, Coordenadoras... O objetivo era explicitar a pesquisa e, sobretudo, ouvir suas falas sobre o Ciclo, vantagens, dificuldades, estratégias de superação etc. Também aproveitamos para conversar/debater sobre as respostas dadas aos questionários e, ainda, sobre os índices demográficos educacionais do município. Foi um encontro muito intenso e proveitoso!
Às 19h tivemos outra reunião – desta vez no grande espaço da EM Maria Villany Delmondes, carinhosamente arrumado e cedido para tal.
A proposta era reunir professor@s e equipes pedagógicas que atuassem com as crianças do Ciclo da Alfabetização para ouvi-los em suas angústias, suas vitórias, suas sugestões... Diferente disso, apareceram ao todo cerca de 70 professor@s de todos os níveis de ensino – de Educação Infantil às séries finais do Ensino Fundamental – o que, sem dúvida, acabou contribuindo para dispersar um pouco o foco do encontro. Ainda assim, o debate foi interessante e mostrou vários pontos que merecem reflexão futura, sobretudo, a questão central: o que é Ciclo? E as dela derivadas: será o aproveitamento das crianças tão bom nas escolas cicladas, quanto nas escolas seriadas? Como dar conta de atividades diversificadas nas salas? - entre outras. A equipe gestora da escola foi incansável em abrir o espaço e me facultar acesso a tudo! Aliás, foi a boa prática do registro permanente que favoreceu isso...

No dia seguinte, a jornada começou às 7h, com visita de observação à EM Maria Villany Delmondes,
Além da proposta de narração de história e escrita de cartas para as crianças do 4º ano (ver detalhes no BLOG Cartas entre Marias), também percorri todas as turmas de 1º, 2º e 3º anos, tanto da manhã, quanto da tarde, totalizando 10 turmas do Ciclo da Alfabetização. Nesses momentos, observava as crianças em atividade, conversava com elas e com @s professor@s, observava a organização dos espaços e matérias etc. Vi como estavam caminhando as propostas diversificadas; como era o processo de avaliação diagnóstica e permanente; como as crianças de diferentes níveis de aprendizagem ajudavam umas às outras, entre outros aspectos relevantes.
Na noite deste segundo dia, foi feito um convite às famílias das crianças do Ciclo da Alfabetização de todas as escolas da rede a fim de trocar ideias sobre a relação família-escola. A adesão foi de mais ou menos 70 adultos e outras tantas meninas e meninos. As angústias de uns eram, muitas vezes, respondidas pelo relato de experiência de outros... Será que as crianças que estão indo adiante sem terem cumprido todos os objetivos no primeiro ano vão mesmo ser capazes de conseguir isso até o final do terceiro? - exemplo de pergunta que acabou sendo respondida pela depoimento de uma mãe de duas crianças gêmeas, cujos resultados no primeiro ano tinham sido bem diferentes e que, hoje no terceiro, já estão igualmente lendo e escrevendo se dificuldades... Será que a não reprovação não desistimula as crianças nosestudos? E mais uma vez a curiosidade infantil foi resaltada, bem como seu desejo de querer saber, mais e mais... Foi muito bacana a participação de mães, pais, avós no debate!
Na 4f às 7h, parti para a última manhã de visitas – desta vez fui conhecer o espaço, os materiais, @s professor@s, equipe gestora e as crianças do 1º e 2º anos da EM Amélia Freire Gomes, que implantou o horário integral de 8h/dia. Foi bom ver que criaram um espaço coletivo de maior acolhimento e incentivo à leitura!
Em seguida, fui para a EM Magda Ivana, já na periferia, quase zona rural, para conhecer o trabalho desenvolvido com o Programa Mais Educação, com o Programa UCA (Um Computador por Aluno) e, mais uma vez, conhecer as crianças, @s professr@s, materiais e espaços físicos das turmas da manhã de 1º, 2º e 3º anos. Uma pena saber que vários pais que foram indicados participar do horário integral com o Programa Mais Educação acabam não levando seus filhos...

No final da manhã, um presente! Fui brindada com um delicioso almoço na Cozinha Única, com um cardápio para lá de especial! Um prato típico do MT chamado “Maria Isabel” (!!) – delícia pura!! Grande parte da equipe gestora me acompanhou neste momento de despedida e comecei, a seguir, o périplo de volta, chegando quase 1h da manhã em Floripa...
Obrigada a tod@s pela abertura ao diálogo e pela acolhida! =)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

FOI DADA A LARGADA!

Começaram esta semana as visitas de observação para a consultoria sobre Ciclo da Alfabetização. Os municípios a serem visitados foram selecionados a partir da análise cuidadosa do primeiro questionário respondido pelas Secretarias Municipais de Educação de todo o Brasil + o questionário complementar respondido pelos municípios brasileiros com Ciclo da Alfabetização consolidado (isto é: implantado antes de 2009 e ainda em funcionamento) + questionários respondidos pelas escolas destes últimos.

Serão visitados:
- na Região Centro Oeste: Jaciara (MT) - de 9 a 11/4
- na Região Sul: Lajeado (RS) - de 16 a 18/4
- na Região Nordeste: Petrolândia (PE) - dias 23 e 24/4
- na Região Norte: Dois Irmãos do Tocantis (TO) - dias 26 e 27/4
- na Região Sudeste: Coronel Fabriciano (MG) - de 2 a 4/5

Acompanhem os comentários aqui no BLOG! =)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cadê a brincadeira que estava aqui? E escola comeu?!

Por fim, também 81% das pessoas marcaram em nossa primeira enquete que é importante oferecer propostas de ensino-aprendizagem envolvendo o lúdico e o imaginário.

A discussão sobre o brincar na escola é antiga. O embate passa por fases nas quais a brincadeira livre e espontânea era estimulada; outras, como que em movimento oposto, rejeitavam qualquer menção ao lúdico e apregoavam que a escola é exclusivamente lugar de estudar – e que a educação infantil, seria, então, lugar de proposta jogos e brincadeiras dirigidas que estimulassem a cognição, a psicomotricidade, o raciocínio lógico, a linguagem oral e escrita, a ciência etc.. Também essa linha, embora resistente, está sendo revisitada e hoje sabemos que a escola, em particular os três primeiros anos do Ensino Fundamental (correspondente ao Ciclo da Alfabetização), mais enfaticamente após a concretização do EF de 9 anos, pode se consubstanciar como espaço de apropriação e produção de conhecimento, onde afeto e cognição podem caminhar juntos, e ainda onde a ludicidade pode ser pano de fundo. Nesse sentido, é importante (re)frisar a importância das brincadeiras livres – sozinhos, em pares, em pequenos e/ou grandes grupos; dos jogos dramáticos e de faz de conta que estimulem a fantasia e o imaginário; das oportunidades de movimentação ampla e de exploração dos diferentes espaços, sobretudo daqueles que propiciam contato direto com a natureza; de ensinar os jogos tradicionais e de oportunizar o acesso aos mecanismos tecnológicos contemporâneos; enfim!
Vamos nos valer a inserção das crianças de 6 anos no EF não para engessá-las em propostas endurecidas; mas para, com elas, trazer mais alegria e movimentação às demais crianças..., seguindo o que diz o documento Ensino Fundamental de 9 anos – orientações gerais (MEC/SEB/DPE/COEF: 2004, p.11): lutemos por uma escola “(...) com novos parâmetros de qualidade. Uma escola que seja um espaço e um tempo de aprendizados de socialização, de vivências culturais, de investimento na autonomia, de desafios, de prazer e de alegria, enfim, do desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões. Essa escola deve ser construída a partir do conhecimento da realidade brasileira.” E ainda nessa perspectiva, nos inspiremos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (CNE/CEB. Parecer nº 22/98), que nos fornecem elementos importantes para a revisão da Proposta Pedagógica do Ensino Fundamental, pois destacam que “sentir, brincar, expressar-se, relacionar-se, mover-se, organizar-se, cuidar-se, agir e responsabilizar-se são partes do todo de cada indivíduo (....). Tudo isso deve acontecer num contexto em que cuidados e educação se realizem de modo prazeroso, lúdico. Nesta perspectiva, as brincadeiras espontâneas, o uso de materiais, os jogos, as danças e os cantos, as comidas e as roupas, as múltiplas formas de comunicação, de expressão, de criação e de movimento, o exercício de tarefas rotineiras do cotidiano e as experiências dirigidas que exigem que o conhecimento dos limites e alcances das ações das crianças e dos adultos estejam contemplados.”

terça-feira, 6 de março de 2012

Para que lermos e escrevermos?

Ainda na nossa primeira enquete sobre questões que favoreceriam o processo de alfabetização/letramento das crianças, 81% dos respondentes aponta que é necessário oferecer experiências cotidianas na escola que mostrem a função social da escrita. Isto é: para que serve ler e escrever?
Em pesquisa que desenvolvi na década de 90 com crianças de um município rural do estado do Rio de Janeiro, a resposta preponderante para essa questão, por parte dos meninos e meninas participantes da investigação era: a gente aprende a ler e escrever para fazer dever/ a gente faz dever para aprender a ler e escrever (!). Isso mostra um pouco o ciclo que muitas vezes acaba se formando na escola, que acaba por se tornar um espaço descolado da vida...
Com perfil de pais não alfabetizados, dedicados basicamente à agricultura e criação de subsistência, aquelas crianças não viam qualquer motivo para ler que não fosse uma “razão escolar” – ler para cumprir as tarefas educativas. Não estavam imersos num mundo eminentemente letrado (ver sobre isso a postagem Imersão no mundo letrado); tampouco percebiam em que aquele processo mudaria suas vidas. Na medida em que a pesquisa ia se desenvolvendo, tentávamos apontar que seria bom saber ler seu contrato de trabalho, assinar seus recibos, conferir sua lista de compras devidas na venda, ler as instruções de aplicação dos agrotóxicos e máquinas de uso cotidiano, saber como evitar envenenamentos e como medicar-se, conhecer os benefícios de seus remédios e seus possíveis efeitos colaterais, poder contar as novidades e saber notícias da família distante... Essas eram apenas algumas práticas de leitura/escrita negadas àquela população que não tinha sido alfabetizada/ letrada. 
Encarar a leitura/escrita como emancipação do sujeito e, portanto, como direito de tod@s é passo inicial fundamental de qualquer proposta de alfabetização/letramento. Ao estruturarmos um programa de alfabetização/letramento temos que ter em mente que a escola não é apartada da vida; e que sua função não se encerra nela mesma, portanto, nosso desafio como sistema/rede de ensino e/ou como escola é sempre sublinhar a importância do conhecimento para a vida dos sujeitos aprendizes!
(...) [N]o que se refere ao aprendizado da linguagem escrita, a escola possui um papel fundamental e decisivo, sobretudo para as crianças oriundas de famílias de baixa renda e de pouca escolaridade. (...) Esses conhecimentos passam inclusive pela incorporação da valorização social que tem a aquisição do ler e escrever. (...) Não sendo um objeto de uso meramente escolar, as instituições educativas devem, ao trabalhar o processo de alfabetização das crianças, apresentar a escrita de forma contextualizada nos seus diversos usos. (...) Nesse processo, a escola deve considerar a curiosidade, o desejo e o interesse das crianças, utilizando a leitura e a escrita em situações significativas para elas. (MEC/SEB/DPE/COEF. Ensino Fundamental de 9 anos - orientações gerais, 2004, p.20/21).

sexta-feira, 2 de março de 2012

Cada criança tem seu ritmo...

Também de acordo com nossa primeira enquete recém-finalizada, 86% dos respondentes consideram importante que se pense numa proposta metodológica que respeite o ritmo de cada criança – isto é, que se pense não no grupo como um bloco homogêneo, mas que se leve em conta o tempo de descobertas, de associação de ideias, de despertar o interesse de cada menino e menina desse grupo. Crianças todas diferentes entre si, com grande potencial de troca e de enriquecimento da turma – pois cada um(a) traz uma bagagem, uma forma de pensar/viver o mundo, um olhar para as questões desenvolvidas e sala; cada criança traz conhecimentos advindos do seu grupo social...
Mas é possível respeitar os ritmos se todos estiverem fazendo as mesmas tarefas, com os mesmos desafios, no mesmo tempo, da mesma maneira? Trago aqui os questionamentos de Rubens Alves iluminados no documento do MEC/SEB/DPE/COEF: Ensino Fundamental de 9 anos – orientações gerais (2004, p.9).
“Por que é necessário que todas as crianças pensem as mesmas coisas, na mesma hora e no mesmo ritmo? As crianças são todas iguais? O objetivo da escola é fazer com que as crianças sejam todas iguais?”.
O autor chama a atenção para essa perspectiva de “produção fabril” que tantas vezes se instala em nossas escolas – que tal repensarmos formas de atuar diferentes dessas que privilegiam a mesmice e a homogeneidade?